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“Com Amor, Van Gogh”, o filme feito com pinturas a óleo

Longa-metragem em homenagem ao pintor holandês foi exibido na última Mostra Internacional de SP e tem previsão de estreia no circuito comercial no dia 16 de novembro.

Divulgação

Já pensou ver os quadros do Van Gogh em movimento, como em um filme?

Isso já é realidade: estreou no dia 26 de outubro, na Holanda, “Com Amor, Van Gogh” (Loving Vincent no original). Eu assisti à pré-estreia exclusiva da animação e conto pra você o que achei. Sem spoilers! 👍🎬


~ PRÉ-ESTREIA DIRETO DA HOLANDA ~
(com os diretores de Com Amor, Van Gogh)


(Transmissão ao vivo realizada no dia da pré-estreia, 07/10, direto da Holanda via a página Holandesando)

O casal Dorota Kobiela e Hugh Welchman, responsáveis pela direção, durante a pré-estreia promovida pelo Museu Kröller-Müller (Reprodução Holandesando)

Eu fui à pré-estreia (ver vídeo acima) promovida pelo Museu Kröller-Müller. Este museu tem a segunda maior coleção de Van Gogh do mundo, perdendo apenas para o Museu Van Gogh em Amsterdã (que exibiu o filme no dia anterior). Entre os convidados estavam os diretores do filme, que explicaram pra gente um pouco mais sobre o processo de filmagem.

Para ser o mais fiel possível ao estilo do artista, eles optaram por algo inédito: fazer o longa inteiramente pintado a óleo. Para isso, eles contrataram uma equipe de 125 artistas, que produziram quase 65 mil pinturas para ter o filme completo!

Foi preciso 6 anos para concluir o projeto. O resultado é impressionante.

Reconhece o ator da foto? É o Jerome Flynn, o Sor Bronn de Game of Thrones! Na segunda imagem temos o quadro O Retrato do Dr. Gaschet, de Van Gogh e, no terceiro, o resultado final do filme. (Divulgação)

~ SOBRE O QUE FALA O FILME ~
(sem spoilers!)


O que teria acontecido com Van Gogh? (Divulgação)

A história se inicia após a morte do Van Gogh. É encontrada uma última carta escrita pelo pintor para seu irmão, Theo.

Isso serve de ponto de partida para uma jornada que relembra os últimos dias de Van Gogh.

Encontramos as personagens que o artista retratou e que ajudam a montar o quebra-cabeça sobre seu falecimento.

No meio de tudo isso, um mistério.

Teria Van Gogh realmente se suicidado ou ele foi assassinado? Seria um de seus retratados o seu assassino?

Opa, mais que isso eu já não posso falar! Mas muita calma nessa hora: chegou o momento de contar o que eu achei do filme.


~ A CRÍTICA: ~
Uma imagem sempre vale mais que mil palavras?


Contando a história do filme, a impressão que dá é que estamos falando de um emocionante thriller. Mas longe disso. O filme é pura contemplação de cores e movimento. O problema é que enquanto as obras do Van Gogh saltam à vista, o mesmo não se pode dizer do roteiro.

Hugh Welchman e Dorota Kobiela, diretores do longa “Com Amor, Van Gogh” (Loving Vincent) / (Divulgação)

A narrativa não tem um arco e logo torna-se previsível. É fácil perceber que o roteiro não passa de simples muleta para encaixar os quadros do pintor. O problema fica nítido nesta declaração da própria diretora, Dorota Kobielaque decidiu transformar o que seria um curta-metragem num longa:

De longe o maior desafio foi reescrever o script para um filme de 80 minutos. Eu me vejo como uma diretora, não como escritora. Eu não conseguiria escrever uma cinebiografia como Sede de Viver. Eu só conseguiria fazer cenas que estavam inseridas ou pelo menos com início ou fim nas pinturas do Van Gogh.”

“O Homem Duplo” (A Scanner Darkly/2006), dirigido e roteirizado por Richard Linklater / (Divulgação)

É impossível, nesse ponto, não comparar “Com Amor, Van Gogh” com O Homem Duplo e Waking Life, que partem do mesmo princípio – um filme transformado em animação, porém com técnica distinta. Mas a diferença entre eles é gritante.

Enquanto os filmes do Richard Linklater funcionariam muito bem mesmo se não fossem animação, o mesmo não se pode dizer de Com Amor, Van Gogh. O que é uma pena.

Se todo o esforço colocado na parte visual tivesse sido usado também no roteiro, nós estaríamos muito próximos de uma obra-prima. Poxa vida, um projeto tão ambicioso desses e não separam nada no orçamento pra contratar um roteirista tarimbado?

É, eu sei. Eu praticamente escangalhei o filme agora. Daí vem aquela pergunta inevitável…


~ MAS AFINAL, VALE A PENA VER O FILME? ~


Acredite: apesar de tudo, sim, vale a pena. Mas vá com o seguinte em mente: a história é mero pano de fundo. O filme é uma grande homenagem visual ao Van Gogh e, quem é fã do pintor, com certeza vai sair da sala maravilhado com a experiência. Já o roteiro, bem… releve. Ele está ali só para tentar amarrar tudo isso. Dá pro gasto.

Cena inspirada em “O Retrato de Adeline Ravoux” (Divulgação)

~ FICHA TÉCNICA ~


Loving Vincent
Com Amor, Van Gogh (BR)
🇬🇧 Reino Unido / 🇵🇱 Polônia  2017 • cor • 93 min
Direção Dorota Kobiela
Hugh Welchman
Produção/Distribuição Breakthru Films / Europa Filmes
Elenco Douglas Booth, Saoirse Ronan, Jerome Flynn, Aidan Turner, Helen McCrory, Eleanor Tomlinson, John Sessions, Chris O’Dowd, Robert Gulaczyk
Lançamento 🇳🇱 26 de outubro de 2017
 
16 de novembro de 2017
Idioma Inglês

 


Matéria publicada originalmente no site Holandesando: https://holandesando.com/com-amor-van-gogh-filme/​

 


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Roberta Landeweerd
Roberta Landeweerd, 30 e poucos, publicitária, natural de São Paulo, é a nossa correspondente internacional. Residindo na Holanda desde de 2013, é a idealizadora do projeto Holandesando que tem o objetivo de mostrar à comunidade brasileira, a cultura e o cotidiano do país além da capital Amsterdã.

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