Liceu de Artes e Ofícios comemora 145 anos e reinaugura como novo Centro Cultural

SP da história

A icônica instituição – Liceu de Artes e Ofícios – por onde passaram Victor Brecheret, Alberto Santos Dumont e Adoniran Barbosa; e realizadora de obras em estilo Art nouveau da cidade de SP e do Brasil na primeira metade do século 20, será reaberta com duas mostras que destacam a relevância histórica da instituição e grandes nomes do design brasileiro.

No dia 11 de agosto de 2018, São Paulo ganha um centro cultural singular, com uma proposta inovadora.

Em comemoração aos seus 145 anos, o Liceu de Artes e Ofícios, uma das mais tradicionais instituições brasileiras de educação, entrega à cidade um espaço multiuso, voltado principalmente à celebração e reflexão sobre o Design, campo que dialoga diretamente com sua história.

As exposições

A inauguração do Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios (CCLAO) será marcada pela abertura de duas exposições inéditas:

História e Memória“, que destaca a relevância do Liceu enquanto referência pelo ensino técnico profissionalizante, e “Design Brasil Século XXI“, mostra que reúne mobiliário e objetos criados sob o preceito da sustentabilidade, obras de grandes nomes do design brasileiro.

Das cinzas, reerguido como uma fênix

Situado no bairro da Luz, no centro da capital, o Centro Cultural do Liceu ocupa o mesmo espaço onde funcionou entre 1980 e 2000.

Em 2014, quando então abrigava o acervo da instituição, o prédio foi consumido por um incêndio de grandes proporções, que lhe causou grandes prejuízos estruturais.

O incêndio veio de uma maneira traumática, porém nos levou a uma retrospecção maior em relação ao que se espera desse espaço. Das cinzas, surgiu a vontade de transformar o local, mantendo-o, ainda assim, ligado à sua essência.”

comenta Livio de Vivo, presidente do Conselho do Liceu de Artes e Ofícios, e completa:

Hoje, temos orgulho de poder brindar São Paulo com um centro cultural moderno, que vai se prestar muito para as próprias atividades da escola, para eventos culturais, sociais e abrigar ainda o acervo do Liceu“.

O novo espaço

Projetado pelo arquiteto Ricardo Julião, o atual CCLAO manteve as principais características arquitetônicas do espaço.

Do prédio original, permanecem o pórtico, os pilares e toda a estrutura metálica que até então sustentava a edificação – agora como componente meramente decorativo.

Apesar dos traços originais que permanecem como vestígios de uma história, o projeto concebido por Julião atribui ao prédio um olhar moderno, contemporâneo:

Nossa ideia foi criar dois pórticos, mantendo o antigo, mas oferecendo também uma nova entrada para o século XXI. Esses dois elementos são ligados por horizontais, que reforçam a ideia de termos aqui, a fusão de duas épocas“, afirma o arquiteto.

O espaço possui ainda proteção térmica e acústica adequadas e é equipado com um moderno sistema de luz, que permite a combinação de cenas diversas.

Programação do novo centro cultural

Quem assina a programação inaugural do novo CCLAO é a curadora Denise Mattar.

Seu projeto divide-se em três tempos: o “Ontem“, o “Hoje” e o “Amanhã“, abarcando não apenas as duas mostras simultâneas e complementares, mas também a organização e promoção de um ciclo de debates e palestras, que tomará como tema os novos desafios e a proposição de soluções pelo e para o design contemporâneo.

 


🏛 A história do Liceu de Artes e Ofícios: da instituição ao centro cultural


A instituição foi criada em 1873 por um grupo de aristocratas pertencentes à elite cafeeira nacional que pretendia formar mão de obra especializada para uma futura possível industrialização do país, de acordo com os ideais positivistas que pregavam a “dignificação do homem através do trabalho”.

Inicialmente adotou-se o nome “Sociedade Propagadora da Instrução Popular“. Não se pretendia nos primeiros anos promover educação profissional: lecionavam-se cursos noturnos de Primeiras Letras e Aritmética, entre outros, para adultos e crianças. Desde essa época, porém, já existia um Conselho Superior (presidido pelo Conselheiro Leôncio de Carvalho) que representava a elite paulista do período.

Passados sete anos, o Conselho Superior decidiu pela total reformulação da instituição e sua efetiva transformação em uma escola. Esta ainda não possuía sede nem diretrizes curriculares e o modelo adotados para a nova instituição seriam as experiências europeias dos Liceus de Artes e Ofícios (as Arts & Crafts Schools idealizadas por William Morris). O movimento das Arts & Crafts (artes e ofícios) já ocorria na Europa há algum tempo e pregava a valorização do trabalho manual do artesão na indústria capitalista.

Com a adoção do nome Lyceu de Artes e Officios, o novo modelo passa a ser exercido e são ministrados cursos de marcenaria, serralheria, gesso, desenho, entre outros, dentro do espírito positivista-burguês das Artes e Ofícios.

A partir de 1890, assume a direção do Liceu o arquiteto Francisco Paula Ramos de Azevedo, responsável por uma nova reforma curricular e administrativa da escola que a faria prosperar de modo inédito.

Ramos de Azevedo também foi um dos fundadores da Escola Politécnica da futura Universidade de São Paulo e trouxe da Bélgica um espírito empreendedor que ia de encontro aos interesses do Conselho Superior. A partir de sua reforma, os alunos do Liceu (aprendizes) passariam a receber financeiramente pela obra que produziam. Esta obra levaria a marca de qualidade do Liceu estampada e seria vendida por todo o País. Com este modelo, o LAOSP tornou-se autossuficiente e independente.

O edifício da Pinacoteca de São Paulo, no Jardim da Luz, originalmente foi construído para abrigar o Liceu de Artes, além do acervo artístico do Estado. O Liceu se manteve neste local a partir de 1900, abandonando-o parcialmente na década de 1910, e definitivamente em 1932.

A prosperidade financeira do Liceu possibilitou a criação de uma sede definitiva. Em 1897 o Escritório Técnico Ramos de Azevedo iniciou o projeto do edifício da Praça da Luz, nunca concluído mas entregue em 1900. Este edifício, através de um acordo com o Estado de São Paulo, seria dividido entre o LAOSP e a recém criada Pinacoteca do Estado.

A produção industrial do Liceu prosperou nitidamente nos períodos de Guerras Mundiais, com o aumento do consumo de itens produzidos no país (devido à redução de importações).

Neste período, passaram pelo Liceu nomes como Victor Brecheret; Alberto Santos Dumont; Adoniran Barbosa. O Liceu se torna o principal divulgador e realizador de obras em estilo Art nouveau da cidade (e do país).

A partir dos anos 50, com a adoção pelo país de um novo modelo de desenvolvimento industrial, os artesãos do Liceu passaram a ser inadequados para as novas atividades de produção. Ocorreu a separação entre a atividade industrial da instituição e sua seção educacional: todo o ideal original de indissociabilidade entre arte e indústria se perdeu a partir daí.

São frutos dessa nova fase industrial: execução das esquadrias do MASP; execução de parte do mobiliário do Aeroporto Internacional de Cumbica; produção dos caixas-automáticos 24 Horas; entre outros.


​Banco 24h | Acervo fotográfico para a Exposição Histórica no novo CCLAO (Divulgação)

Em 1980, sob a curadoria do crítico de arte Olívio Tavares de Araújo, surgia o Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios. A inauguração foi marcada pela estreia de “Arte é Humanismo”, espetáculo de luz e som associado à coleção de esculturas em gesso do Liceu, reproduções de algumas das maiores obras da arte ocidental, entre as quais “David” e “Pietá“, de Michelangelo.

O espaço funcionou por 20 anos, até 2000, quando encerrou suas atividades. Em 2014, o prédio foi consumido por um incêndio de grandes proporções. Na ocasião, além dos prejuízos estruturais, o fogo danificou também as réplicas escultóricas em gesso, parte delas agora restaurada.

Para a atual exposição foram recuperadas 6 das 28 peças atingidas. A primeira delas, uma réplica de Pietá.

(Fontes: Assessoria de imprensa CCLAO e Wikipédia)


Serviço – Centro Cultural do Liceu de Artes e Ofícios

Exposição Percurso Histórico, curadoria de Denise Mattar – De 11 de agosto de 2018 a julho de 2019
Exposição Design Brasil Século XXI, curadoria de Fernanda Sarmento – De 11 de agosto a 01 de dezembro

Endereço: R. Cantareira, 1351 | Luz | São Paulo
Visitação: De terça a sábado, das 12h às 17h
Ingresso gratuito

 


Entre no nosso grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/spdagaroa/ e seja um membro para saber em primeira mão das nossas matérias recentes e outros conteúdos exclusivos!
The following two tabs change content below.
Redação SP da garoa
São Paulo da garoa, São Paulo, que terra boa! Tudo sobre cotidiano, cultura, história, turismo e gastronomia da nossa terra da garoa.

Comentários

Comentários

Tagged