SP da história

Monumento à Independência

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(Obra de Ettore Ximenez feita em 1921. O artista usou 131 peças esculpidas em bronze. O monumento foi dedicado à Independência do Brasil de Portugal. Nele, encontra-se a Capela Imperial com a cripta e despojos de Dom Pedro I e da princesa Leopoldina ~ Foto: Reprodução / Fonte: saopaulo.sp.gov.br)

Uma das mais belas recordações históricas de São Paulo, o Monumento à Independência, homenageia um importante momento vivido pelo nosso país no ano de 1822. Criado no ano de 1922 como parte das comemorações do centenário da emancipação política nacional, a linda estátua surgiu de uma maneira curiosa: um concurso, organizado pelo estado, pedindo a participação de artistas brasileiros e estrangeiros que apresentaram diversos projetos e maquetes.

Os finalistas se apresentaram no Palácio das Indústrias e o meio intelectual brasileiro fez várias críticas à realização do concurso, contestando, inclusive, a participação de estrangeiros e, até mesmo, a composição da comissão julgadora dos projetos. Passados esses momentos de tensão, o país ficou sabendo que Ettore Ximenes, um artista italiano, saiu vencedor do concurso sem ter a aprovação unânime da comissão que pediu algumas alterações para inserir elementos representativos da história nacional.

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O escultor italiano Ettore Ximenes, que entre 1919 e 1926 residiu no Cambuci em São Paulo, onde trabalhou com o arquiteto Manfredo Manfredi no “Monumento à Independência” ~ Fonte: Wikipedia / Foto: fotografia.iccd.beniculturali.it

 

 

 

 

 

O projeto do italiano foi alterado e alguns episódios e personalidades acabaram incluídas na obra. Lembranças da Revolução Pernambucana de 1817, a Inconfidência Mineira de 1789, as figuras de José Bonifácio de Andrada e Silva, Hipólito da Costa, Diogo Antonio Feijó e Joaquim Gonçalves Ledo, principais articuladores do movimento.

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(Lateral esquerda: grupo escultórico representando Os Inconfidentes Mineiros de 1789 ~ Foto e Fonte: Wikipedia)

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(Lateral direita: grupo escultórico representando Os Revolucionários Pernambucanos de 1817 ~ Foto e Fonte: Wikipedia)

Mesmo sem estar concluído, o monumento foi inaugurado no dia 7 de setembro de 1922, ficando completamente pronto somente quatro anos depois. Com o passar dos anos, o monumento sofreu acréscimos: em 1953, uma cripta foi construída em seu interior, onde foram depositados os restos da Imperatriz Leopoldina um ano depois; em 1972, os restos de Dom Pedro I chegaram ao local e, em 1984, os restos de D. Amélia, a segunda imperatriz do Brasil se juntou aos outros dois. Vale o destaque que, alguns desses acréscimos, foram sugeridos por nomes como: Ramos de Azevedo, Adolfo A. Pinto e Vitor Freire.

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(Vista da urna que abriga os restos mortais de D. Pedro I, ao lado do tumulo de Dona Amélia, sua segunda esposa, no subsolo do monumento ~ Foto e Fonte: Wikipedia)

No ano 2000, a fim de criar um espaço de visitação pública ao interior da obra, a estátua foi mais uma vez modificada através do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).  O trabalho foi focado nas alterações dentro do monumento e foram concebidos novos acessos da Capela Imperial, construção da escada, sanitários, áreas de apoio e serviços.

Externamente foram restaurados os grupos escultóricos do monumento e o painel em alto-relevo, “Independência ou Morte”, recebeu intervenções para a sua conservação com o passar do tempo.

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(Face frontal: painel em alto-relevo denominado “Independência ou Morte”; e no topo, grupo triunfal ~ Foto e Fonte: Wikipedia)

 


Abrahão de Oliveira é jornalista e colaborador da seção histórica do São Paulo da garoa. Ele também é o idealizador do portal São Paulo In Foco, voltado para o resgate da memória da cidade.

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