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5 motivos para ver “Os Guardas do Taj” com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi

Após a sua temporada de estreia em Portugal, “Os Guardas do Taj” interpretados por Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi, finalmente chega a terra da garoa. O texto original é do escritor norte-americano de descendência indiana, Rajiv Joseph, e tradução de Rafael Primot.
(Foto da capa da matéria: Rogério Martins)

Estive na exibição fechada para a imprensa e pude conferir essa peça que é uma das grandes estreias de 2018, e que entra agora (13/01) em cartaz no Teatro Raul Cortez – Fecomercio.

“Os Guardas do Taj”, de Rajiv Joseph, com Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi na adaptação de Rafael Primot (Arte divulgação)

~ SINOPSE: Uma amizade diante de uma história trágica ~

Gianecchini e Tozzi interpretam os guardas do Taj Mahal, o famoso templo indiano construído a mandado do imperador Shah Jahan (sim, daquela música do Jorge Ben Jor).

A história se passa no ano de 1648, e esses guardas, também amigos desde a infância, são proibidos de olharem para o monumento antes de sua inauguração. Enquanto que um, Babur (R. Tozzi), está cheio de curiosidade, o outro, Humayun (R. Gianecchini), é ortodoxo e obediente.

Eles irão se confrontar diante das regras estabelecidas e da maneira que cada um deles vê a sociedade e suas vidas, até um acontecimento grave definir de forma inesperada o rumo do destino de ambos.

Tal fato é contado por muitos como uma das lendas mais trágicas (e sangrentas até) acerca da história da criação de uma das “sete maravilhas do mundo moderno”.

 

~ MOTIVOS PARA VER O ESPETÁCULO ~


🎭1- OS ATORES: atuações na medida para a dramaturgia


Humayun, interpretado por Gianecchini, e Babur, por Tozzi, são os guardas do Taj Mahal (Foto: João Caldas Filho)

O grande chamariz de fato, são os dois únicos atores protagonistas, os “Globais” Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi.

Porém, poucos sabem que eles têm um passado teatral bastante relevante, como o Gianecchini que participou de montagens famosas no Teatro Oficina do diretor Zé Celso Martinez, em “Cacilda” (1998) e “Boca de Ouro” (1999); e assim como Tozzi esteve em “Colapso” (2010) do famoso diretor do grupo “Asdrúbal Trouxe o Trombone“, Hamilton Vaz Pereira, e também em “Hell” (2010) de Hector Babenco.

E em “Os Guardas do Taj”, é uma ótima oportunidade de vermos as atuações mais autênticas desses atores muito conhecidos da televisão, mas é no palco que eles se sentem mais à vontade e engatam tranquilamente a sua liberdade criativa de atuação.

Gianecchini que na pele de Humayun representa o lado mais racional, pragmático e rígido até, consegue conduzir de forma peculiar os momentos em que o seu personagem “amolece” e entra mais na sintonia emotiva, sonhadora e mais contestadora de Babur, o qual Tozzi o representa de forma brilhante, pois ficamos realmente convencidos de seus pensamentos e atos.

E claro, que, no momento ápice, o clímax dessa história, e o que tem a ver com a tal lenda trágica acerca da construção do Taj Mahal, ficamos realmente pasmos e comovidos com o impasse que os personagens são obrigados a encarar, e os atores deram uma total veracidade do drama.


🎭2- A TRADUÇÃO como texto coloquial


Bate-papo que rolou após o espetáculo fechado para a imprensa, com Rafael Primot (tradutor e diretor, à esquerda) e R. Gianecchini (à direita) (R. Gushiken/SP da garoa)

Rafael Primot (também é ator) assina a tradução, adaptação e até a codirigiu em parceria com João Fonseca, e explica que a intenção com essa peça “é de transportar o espectador para a situação dos personagens e não para a época, necessariamente“.

E partindo dessa definição, podemos mesmo notar que as falas são bem coloquiais – com palavrões e gírias atuais que até causam risos na plateia, nada é rebuscado e segue à risca no tempo, e sim, o intuito é que gere a identificação com o público de forma mais condizente e natural.


🎭3- O TEMA é muito atual 


Humayun (Gianecchini) é o pragmático racional, enquanto que Babur (Tozzi) é o contestador emotivo (Foto: João Caldas Filho)

Apesar dos personagens vivenciarem e serem reféns de regras e padrões do século XVII, o que hoje em dia pode ter mudado, porém o que ainda permanece é a temática da arbitrariedade de poderosos ou de grupos influenciadores querendo impor as suas “verdades” sobre o nosso cotidiano, comportamento e até nas nossas leis (já pensando no campo político) sem que tenhamos contestado tudo isso.

 ​”(…) O mundo contemporâneo ainda nos deixa em uma situação em que somos só influenciados por decisões externas que nos são impostas, devido ao bombardeamento constante de informações que somos impactados, mas pouco agimos com o que pensamos do nosso coração (…)”

Assim relata Ricardo Tozzi para contextualizar um pouco a abordagem do tema para os tempos atuais e meio que foi a intenção do escritor Rajiv Joseph, o qual pretendia mesmo com essa história, a estimular todos para filosofar e questionar sobre o que aceitamos de forma passiva muitas vezes.


🎭4- O FOCO INÉDITO: a amizade entre homens que NÃO desencadeia em um romance


Humayun (Gianecchini) e Babur (Tozzi) são amigos desde a infância (Foto: Rogério Martins )

Sim, eu também pensei que fosse um romance homossexual, no primeiro momento que vi a divulgação da peça, mesmo que frisado na sinopse que era uma “amizade entre homens” e só!

Mas esse é o barato dessa peça, que nos faz repensar sobre amizade e amor, que às vezes é só uma amizade mesmo, de muita cumplicidade e devoção, e sim, existente entre dois homens não necessariamente gays.

Talvez o próprio machismo tenta inibir que muitos homens expressem de forma aberta o que sentem por seus amigos, em contraponto, muitos já expressam orgulhosamente isso e sem cerimônias (que ótimo, não é?).

Só para dar uma prévia, o “momento ápice” em que cito no motivo nº1, os atores retratam muito bem sobre o que é uma verdadeira amizade e o que ela representa para os dois.


🎭5- VÁ AO TEATRO e deixe a sua imaginação rolar solta!


“Os Guardas do Taj” em cartaz no teatro Raul Cortez – Fecomercio (Foto: João Caldas Filho)

O teatro ainda é uma das formas de entretenimento que nos faz realmente estimular a nossa imaginação para pensar e repensar sobre o que foi encenado bem diante dos nossos olhos no palco, e assim, concluirmos a nossa interpretação, e o que isso poderá passar para o nosso cotidiano, e por fim, o que faz apurar em mais qualidade e diversidade sobre tudo que opinamos.

Em “Os Guardas do Taj”, a cenografia e outros recursos técnicos (iluminação, som, etc) meio que instigam que a nossa imaginação role solta mesmo, como por exemplo, em momento algum tem a imagem do Taj Mahal retratado no cenário, justamente para focar sobre o que o monumento representa no imaginário dos personagens, tendo como base só as suas falas.

E isso se aplica em todos os momentos, de comédia, drama e encenações com metáforas poéticas, pois o que é para prevalecer é a interpretação que cada um faz diante disso e levará consigo para casa.

 


Serviço – “OS GUARDAS DO TAJ” no Teatro Raul Cortez (513 lugares):

Datas e horários:
Sextas e Sábados, sessão às 21h
Domingos, sessão às 18h
Estreia dia 13 de Janeiro de 2018
Temporada: até 25 de Março

Duração: 75 minutos
Recomendação: 12 anos
Gênero: Drama

Ingressos:
Sextas: R$ 60 (inteira); R$ 30 (meia)
Sábados: R$ 80 (inteira); R$ 40 (meia)
Domingos: R$ 70 (inteira); R$ 35 (meia)
Funcionários do SESC e SENAC e colaboradores dos sindicatos filiados à Fecomercio possuem desconto de 50% em até dois ingressos, saiba mais: http://www.fecomercio.com.br/institucional/teatro-raul-cortez

Vendas online:
(11) 2626-5282 / https://compreingressos.com/espetaculos/9767-os-guardas-do-taj

Endereço do teatro: Rua Dr. Plínio Barreto 285 – Bela Vista
Telefone para informações: (11) 3254-1631
Horário da bilheteria: terça a quinta das 15h às 20h; sexta a domingo a partir das 15h.
Aceita todos os cartões de débito e crédito. Não aceita cheque.
Ar condicionado e acesso para deficientes.
Estacionamento do teatro: R$ 23

Ficha Técnica:

TEXTO Rajiv Joseph
TRADUÇÃO E ADAPTAÇÃO Rafael Primot
DIREÇÃO Rafael Primot e João Fonseca
ELENCO Reynaldo Gianecchini e Ricardo Tozzi
MÚSICA ORIGINAL Marcelo Pellegrini
FIGURINO Fabio Namatame
CENÓGRAFO Marco Lima
VÍDEO PROJEÇÃO Estúdio Bijari
ILUMINAÇÃO Dani Sanchez
CENOTECNICO Fernando Brettas. Ono-Zone Estúdio
CENÓGRAFO ASSISTENTE Cesar Bento
PRODUÇÃO MUSICAL – Surdina
ASSISSTENTE DE PRODUÇÃO (ENSAIOS) Bruno Fagotti
COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Egberto Simões
PRODUÇÃO EXECUTIVA Martha Lozano
IDEALIZAÇÃO: Rafael Primot e Enkapothado Artes
PRODUTORAS: Selma Morente e Célia Forte
REALIZAÇÃO: Morente Forte Produções Teatrais
PATROCÍNIO: Seguros Unimed

 


Reveja a nossa matéria especial: “Teatro em São Paulo: estreias e reestreias para 2018“: clique aqui!


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Rafael Gushiken
Rafael Gushiken é o idealizador e editor-chefe do São Paulo da garoa, portal colaborativo que divulga o cotidiano paulistano por meio de várias expressões artísticas. Seu perfil pessoal é o @rafagushi, administrador e curador das fotos compartilhadas no @spdagaroa, marcadas via a #spdagaroa, e nessa plataforma Instagram, representa uma notável comunidade virtual dos apreciadores e experts de fotografia.

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