SP da cultura

Pelé e Arlindo Barreto em foco na cinebiografia de ícones brasileiros

Pelé – O nascimento de uma lenda” aborda o maior mito do futebol de todos os tempos, e “Bingo – O rei das manhãs” é inspirado na história do mais famoso intérprete do Bozo na televisão brasileira dos anos 80

O São Paulo da garoa esteve presente na pré-exibição do longa-metragem sobre Edson Arantes do Nascimento, o famoso Pelé. É mostrada a história desde a sua pobre infância até o estrelato de ter ganho aos 17 anos, a primeira Copa do Mundo pelo Brasil em 1958.

O filme é norte-americano com coprodução brasileira, dirigido pelos irmãos Michael e Jeff Zimbalist, que pretendiam lançar no ano da Copa de 2014, porém, com atrasos devidos a pós-produção, refilmagens e até desistência da compra do título de distribuidoras, “Pelé – O nascimento de uma lendaestreia em circuito comercial nacional no dia 26 de outubro de 2017.

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Os atores Leonardo Lima e Milton Gonçalves no “red carpet” do lançamento que ocorreu no Cinemark do Shopping Iguatemi em 16/10, e Rafael Gushiken do São Paulo da garoa marcando presença também (R. Gushiken e Neto Krüger / SP da garoa)


~ CRÍTICA ~


Kevin de Paula como Pelé durante a Copa do Mundo de 1958 disputada na Suécia (Divulgação)
Pelé durante a sua infância pobre (Divulgação)

Um primeiro detalhe que todos irão perceber e até sentirão uma certa estranheza, é que o filme é falado todo em inglês.

Por ter sido filmado na maior parte aqui no Brasil e com elenco praticamente de brasileiros com alguns “Globais” reconhecíveis, sim, esperávamos que fosse falado em português. Mas agora, o que podemos recomendar é que o veja LEGENDADO, porque vê-lo DUBLADO será mais estranho ainda! (risos).

Ao mesmo tempo, temos que entender que é um filme feito para projeção no circuito internacional, e desejamos mesmo que ele tenha uma boa repercussão, pois Pelé é um dos brasileiros mais lembrados por todos até hoje, mais do que Carmen Miranda.

Independente da cronologia histórica e do tema do futebol em si, o filme traça essencialmente a aceitação e a superação de um menino negro e pobre que sonhava em ser um simples jogador de futebol, porém, as barreiras da vida desprivilegiada, e principalmente, o preconceito racial muito vigente na época (década de 50) tentavam impedir esse sonho.

Seu Jorge intepreta o pai de Pelé, o “seu Dondinho” (Divulgação)

Esse contexto até nos faz refletir e muito, justamente para que todos nós, brasileiros, saibamos valorizar mais os nossos representantes do país pelo mundo afora, e que tenhamos mais orgulho da nossa cultura e identidade – como a “ginga” do brasileiro no futebol que o filme aborda -, sem sentirmos vergonha ou o “complexo de vira-lata“.

Tal expressão definida pelo escritor Nelson Rodrigues justamente pelo trauma sofrido por todos com a derrota do Brasil pelo Uruguai na Copa de 1950 em pleno Maracanã (RJ), e que no filme, nos mostra como o princípio dessa negação e inferioridade implantadas no sentimento do brasileiro da época.

Do elenco, destacamos o cantor e ator Seu Jorge que interpretou o “seu Dondinho“, o pai de Pelé, que foi um dos maiores incentivadores para a carreira do filho e também fora um jogador profissional (pelo Atlético Mineiro, entre outros clubes).


~ FICHA TÉCNICA ~


Pelé: The Birth of a Legend
Pelé: O Nascimento de uma Lenda (BR)
 Estados Unidos/ Brasil  2016 • cor • 107 min
Direção Jeff Zimbalist
Michael Zimbalist
Produção Jeff Zimbalist
Michael Zimbalist
Brian Grazer
Elenco Leonardo Lima Carvalho como Pelé – 10 aos 13 anos
Kevin de Paula como Pelé – 13 aos 17 anos
Vincent D’Onofrio como Feola
Seu Jorge como Dondinho
Milton Gonçalves como Waldemar de Brito
Colm Meaney como George Raynor
Diego Boneta como José
Felipe Simas como Garrincha
Lançamento    26 de outubro de 2017
Idioma Inglês/Português

 


Paralelo Arlindo Barreto e o Bozo, que o interpretou e o deixou famoso nos anos 80 (Reprodução)

A nostalgia da infância (trash?) dos anos 80 é o principal ponto-chave do sucesso do primeiro longa-metragem de Daniel Rezende: “Bingo – O rei das manhãs“, que retrata uma história inspirada na vida de Arlindo Barreto, o famoso intérprete de Bozo no SBT (emissora de Sílvio Santos).

No filme, Arlindo é (literalmente) o personagem Augusto Mendes (interpretado por Vladimir Brichta), um ator como outro qualquer que sonha em ter uma carreira notória e duradoura. Começa a fazer pontas em filmes de “pornochanchadas” e tenta se estabelecer na emissora de maior audiência, no entanto, em nada consegue se estabilizar profissionalmente e diante da obrigação de divorciado em cuidar de seu filho Gabriel, Augusto encara o trabalho em uma outra emissora para ser um animador de programa matinal infantil, se caracterizando como um palhaço.

Vladimir Brichta como Bingo (Divulgação)

O sucesso é alcançado, mas ele se depara com um dilema: o de não revelar a sua verdadeira identidade ao público, levando-o para uma crise existencial de “artista que se esconde por trás de uma máscara”, no qual, a sua vida pessoal fica muito conturbada, marcada com problemas de convivências com o filho e o trabalho em si, e do vício em drogas (cocaína e álcool).

Além do público, o longa de Daniel conquistou a graça da Academia Brasileira de Cinema que anunciou em 15 de setembro deste ano, como o filme brasileiro escolhido para concorrer ao Prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, o Oscar 2018. Até o próprio Arlindo declarou que “chegou a Hollywood” após esse anúncio.


~ CRÍTICA ~


Arlindo para a matéria publicada na revista Piauí em 2007 (Reprodução)

É inevitável a comparação do que realmente aconteceu com o Arlindo e o que foi meramente retratado no filme por meio do personagem Augusto. Como por exemplo, um dos boatos das antigas, de que o Bozo colocava “pó branco” no seu nariz vermelho de palhaço, será que isso era verdade mesmo? O filme teve a coragem de retratar?

Bom, para isso, recomendamos que leiam essa (belíssima!) matéria – “O Palhaço de Deus” (clique aqui) – assinada por Raquel Freire Zangrandi e publicada em 2007 na revista Piauí, que traça o perfil completo de Arlindo Barreto: “o filho de Márcia de Windsor e ex-marido de Gretchen se viciou em cocaína, foi diretor de cinema, ator de filmes pornográficos e palhaço Bozo antes de ganhar a vida como pastor evangélico“.

E assim, como também tivemos e esclarecemos todas as nossas dúvidas somente após que lemos essa matéria. E é muito bom, porque notamos de onde saíram todas as situações encenadas no filme e que realmente aconteceram na vida de Arlindo, ou seja, a vida dele já era um roteiro pronto para um filme! (risos)

Tanto que, o curioso dessa história toda, é de que a concepção inicial para a ideia desse filme veio mesmo após a leitura do produtor Dan Klabin para essa matéria, ainda mais na parte que explicita o auge do Bozo de Arlindo e que via pouco o seu filho Diego, até o momento que este declarou-lhe: “Pai, você é o único pai que brinca com todas as crianças, menos comigo“.

Vladimir Brichta (Divulgação)

Vladimir Brichta encara de corpo e alma o personagem Augusto, realmente sentimos os dramas e todos os impasses vividos por Arlindo. Porém, o filme nos cria uma certa euforia de muitos risos e empolgação do começo pro meio, e depois caímos num “baque” quando entra na parte mais “séria” que se estende até o seu fim.

Ou seja, a transição da “comédia para a tragédia” é imediata, não há uma “transição atenuante”, e muitos poderão interpretar o filme como ruim, ou como muitos poderão interpretar como ótimo, justamente de afirmarem que souberam retratar “na lata” o auge e a queda repentina da carreira de Arlindo e como ele soube contornar tudo isso.


~ FICHA TÉCNICA ~


Bingo: O Rei das Manhãs
 Brasil • 2017 • cor • 113 min
Direção Daniel Rezende
Produção Gullane Filmes
Roteiro Luiz Bolognesi
Elenco Vladimir Brichta interpreta Augusto Mendes
Leandra Leal interpreta Lúcia
Emanuelle Araújo interpreta Gretchen
Cauã Martins interpreta Gabriel
Ana Lúcia Torre interpreta Marta Mendes
Tainá Müller interpreta Angélica
Augusto Madeira interpreta Vasconcelos
Pedro Bial interpreta Armando
Soren Hellerup interpreta Peter Olsen
Ricardo Ciciliano interpreta Cláudio Ricardo
Domingos Montagner interpreta Aparício
Gênero Drama
Lançamento  24 de agosto de 2017
Idioma Português

 


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