Por que é feriado no dia 9 de julho em todo estado de SP?

SP da história

Por que é feriado no dia 9 de julho em SP? O que foi a Revolução de 1932 ou a Revolução Constitucionalista? Foi uma revolução mesmo, e não uma manobra política da elite paulista derrotada na época? São Paulo quis se separar do Brasil? Foi uma guerra civil?
Veja todas as respostas a seguir e outras curiosidades a respeito desse fato histórico!


1- A comemoração e o feriado


Dia da Revolução Constitucionalista é comemorado anualmente em 9 de julho e considerado feriado estadual em São Paulo.

Em 1997, o governador do estado de São Paulo, Mário Covas, oficializou essa data como feriado civil na região em homenagem ao soldado constitucionalista que lutou pela queda da ditadura de Vargas.

Oficialmente, o Dia da Revolução e do Soldado Constitucionalista foi transformado em feriado civil através da Lei nº 9.947, a partir de um projeto de lei apresentado pelo deputado Guilherme Gianetti.

➡ Veja a notícia a respeito desse “novo feriado” na época publicado na Folha de S. Paulo:
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/1997/7/09/opiniao/3.html


2- História: Afinal, o que foi a “Revolução de 1932”?


2.1- Contextualização política

Antes de falar sobre a Revolução Constitucionalista de 1932, é preciso voltar alguns anos na história para buscar os embriões deste que foi um dos maiores movimentos armados da história do Brasil.

Durante a República Velha (1889-1930), formou-se uma aliança entre os estados mais ricos e influentes do país na época, São Paulo e Minas Gerais, cujos representantes alternavam-se no posto da presidência da república naquilo que ficou conhecido como a “política do café com leite”.

Em 1930, porém, o presidente Washington Luís, representante dos paulistas, rompe a aliança com os mineiros e indica o governador de São Paulo, Júlio Prestes como seu sucessor, que venceu as eleições.

As oligarquias mineiras não aceitam o resultado e, por meio de um golpe de estado articulado com os estados do Rio Grande do Sul e da Paraíba, colocam Getúlio Vargas no poder.

2.2- Confronto com a elite paulista

“Getúlio vem com uma nova proposta de modernização do país. O grupo que chega ao poder pretende promover essas mudanças de maneira autoritária, sem consultas eleitorais”,

conta Alexandre Hecker, professor de História Contemporânea da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Mackenzie.

O novo presidente fecha o Congresso Nacional, anula a Constituição de 1891 e depõe governadores de diversos estados, passando a nomear interventores. As medidas desagradam profundamente as elites paulistas tradicionais.

2.3- A oposição paulista ao presidente Getúlio Vargas

Esses grupos, que eram ligados ao Partido Republicano Paulista (PRP) e haviam sido derrotados pela revolução de 1930, passam a trabalhar em oposição ao governo de Getúlio”,

diz Alexandre. Já, a partir de 1931, se junta a essa elite deposta um “grupo mais moderno”, que exige do governo a criação de uma carta magna que regesse a legislação do país – algo que Vargas vinha adiando cada vez mais – além de eleições gerais para presidente da república.

Ao mesmo tempo em que se formava esse grupo opositor, fortaleciam-se, em São Paulo, os chamados tenentistas, constituídos não apenas por militares, mas também de civis que agiam sob sua liderança.

Eles se reuniam no Clube Três de Outubro e apoiavam as ações do governo”,

explica o professor.

Havia diversas brigas de rua entre os estudantes do Largo São Francisco e esse grupo getulista, os tenentistas”.

2.4- O estopim

No dia 23 de maio, essas forças se encontraram e se defrontaram nas ruas de São Paulo, o que resultou na morte de alguns estudantes em praça pública, que ficaram famosos como MMDC (sigla das iniciais dos quatro jovens mortos: MartinsMiragaiaDráusio Camargo, e mais tarde, adicionou-se a letra A, de Alvarenga, ao final da sigla, de outro jovem que acabou morto por causa do conflito).

Essas mortes foram o estopim que deu início no dia 9 de julho de 1932 à Revolução Constitucionalista. Com a ajuda dos meios de comunicação em massa, o movimento ganha apoio popular e mobiliza 35 mil homens pelo lado dos paulistas, contra 100 mil soldados do governo Vargas.

2.5- O isolamento do estado de SP

Havia uma possibilidade de que outros estados viessem em apoio ao governo do estado de São Paulo, mas ele ficou isolado e, com isso, se desenvolveu uma série de batalhas,

destaca Alexandre. Foram quase três meses de batalhas sangrentas, encerradas em 2 de outubro daquele mesmo ano, com a derrota militar dos constitucionalistas.

Rua XV de Novembro (região central de SP), durante a Revolução Constitucionalista de 1932

2.6- O legado da Revolução

Moralmente, porém, em termos de denúncia política, o movimento foi vencedor, porque logo depois do término do conflito, o governo federal convocou eleições para uma Assembleia Constituinte, que promulgou a Constituição do Brasil em 1934. Foi também quando, pela primeira vez no país, as mulheres participaram do processo eleitoral,

ressalta o historiador.

2.7- Contradições

O termo “revolução” para o movimento constitucionalista não é muito adequado àquilo que se propunha fazer, segundo o professor.

Não era uma revolução. Na verdade, desejava-se a normatização da legislação e do processo eleitoral, e não uma mudança no sentido de alteração das relações de poder ou qualquer coisa que significasse uma limitação no processo de desenvolvimento capitalista,

afirma. Ele diz que, para alguns historiadores, o movimento é considerado até conservador e anti-revolucionário.

Era uma elite derrotada que queria voltar ao poder e encontraram nesse movimento uma desculpa para isso.


3- Curiosidades


3.1-  A revolução na verdade foi uma guerra civil

 

Os historiadores André Cezaretto Thiago Castro mais o diretor Thiago Montelli, lançaram no de 2016 o documentário “1932: Histórias de uma guerra”, com a proposta bem abrangente de mostrar as várias interpretações para esse conflito que eles definem como uma verdadeira guerra civil.

A Revolução Constitucionalista de 1932 foi de fato uma guerra civil, com diversas forças envolvidas e acontecimentos por todo o país. Apesar do palco principal dos combates ter sido o Estado de São Paulo, a insatisfação contra o governo Vargas era sentida em todo o Brasil. Combates e manifestações ocorreram em praticamente todas as regiões do país.

assim eles descrevem, e completam:

Em nosso trabalho procuramos desconstruir verdades cristalizadas e ir além das versões oficiais. Pesquisamos em muitos estados, encontramos com historiadores e veteranos de guerra e nos embrenhamos em arquivos, livros e nos locais de combate. Focamos em ampliar a discussão. Entendendo e conjugando todos os envolvidos, o porquê de suas atitudes e revelando não só os acontecimentos, mas a memória que construímos desta guerra ao longo dos últimos 80 anos.”

Eles detalham em documentário o que o historiador Alexandre anteriormente relatou sobre a tal probabilidade de outros estados brasileiros (MG, RS, MS e o próprio RJ que tinha a sua capital como a federal também) terem apoiado o governo do estado de SP, porém, o próprio Getúlio Vargas havia impedido essas alianças, e por isso que os paulistas ficaram isolados e desencadeou nas batalhas concentradas em seu estado.

3.2- A Revolução de 1932 não foi um movimento separatista paulista

Registro da Revolução Constitucionalista de 1932

Os historiadores e diretor nos questiona:

Existe uma versão correta ou verdadeira? A do paulista ufanista, democrata e libertador da pátria? De um golpe engendrado pelas elites do café, manipulando a população? Um movimento separatista?”

Um ponto podemos afirmar que essa afirmação de “movimento separatista” é totalmente errônea, e eles próprios confirmam que isso foi uma falácia passada de geração para geração de paulistas/paulistanos que utilizaram o fato da “Revolução de 1932” como desculpa para efetivar esse discurso, até ufanista e preconceituoso contra brasileiros de outros estados, de que São Paulo pretendia se separar do Brasil e se tornar um país independente.

Como já afirmado anteriormente, o movimento foi mobilizado para a exigência de uma nova constituição pois Getúlio havia anulado a de 1891, e meio que, após o término dos combates, foi oficializada a nova constituição, na época, do ano de 1934.

➡ Para saber todos os tópicos abordados em “1932: Histórias de uma guerra” e como vê-lo, acesse o link: http://www.1932historiasdeumaguerra.com.br/index.php/o-filme-2

3.3- A inauguração do Mercadão foi adiada por causa da Revolução

Painel vitral do “Mercadão”

Mercado Municipal de São Paulo, o mais conhecido “Mercadão“, foi projetado em 1926 pelo escritório do famoso arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (o mesmo que edificou o Theatro Municipal de SP), e inicialmente, com a previsão de inauguração para 1932.

Porém, a ocasião foi adiada para o ano seguinte, 1933, pois no anterior havia estourado a “Revolução Constitucionalista“, e o prédio serviu como galpão de armas e munição, e também provisoriamente, como um quartel-general onde abrigou alguns combatentes.

Para treinar a mira, esses soldados não hesitaram em utilizar como alvo os “agricultores” que ilustram os painéis de vidro feitos pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho. Ele, que também assina o trabalho na Catedral da Sé e de outras 300 igrejas, teve que refazer os painéis do Mercadão após a rendição das tropas, pois foram mais dois meses restaurando o próprio trabalho para que fosse entregue novamente à população, “novinhos em folha”, na inauguração oficial ocorrida em 25 de janeiro de 1933, data do aniversário da cidade.

Ao todo, são 32 painéis subdivididos em 72 vitrais espalhados por todo o prédio, em estilo neogótico e que retratam a história da agricultura em São Paulo.

3.4- A Revolução nas principais vias da cidade de SP

As duas principais avenidas que ligam a cidade de São Paulo de norte a sul –  Nove de Julho e 23 de Maio – têm a origem de seus nomes a partir da Revolução.

Como já mencionados, foi no dia 23 de maio de 1932, num conflito com as tropas federais que antecedeu a Revolução Constitucionalista, 4 estudantes foram mortos, conhecidos pela sigla MMDC. E o dia 9 de julho de 1932, foi a data do início.


4- A homenagem aos combatentes da Revolução de 1932 em monumento


4.1- O Obelisco do Ibirapuera


O Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, também conhecido como Obelisco do Ibirapuera ou Obelisco de São Paulo, é um monumento funerário brasileiro que fica no Parque Ibirapuera.

Símbolo da Revolução Constitucionalista de 1932, o obelisco é o maior monumento da cidade e tem 72 metros de altura. A construção do monumento foi iniciada em 1947, inaugurado em 9 de julho de 1955, um ano após a inauguração do Parque do Ibirapuera, mas concluída em 1970.

O Obelisco é um projeto do escultor ítalo-brasileiro Galileo Ugo Emendabili e execução foi confiada ao engenheiro alemão radicado no Brasil, Ulrich Edler. Tombado pelos conselhos estadual e municipal de preservação de patrimônio histórico, o mausoléu do Obelisco guarda os corpos dos estudantes mortos (MMDC+A) durante a Revolução de 1932 e 713 ex-combatentes.

Para homenageá-los e preservar a memória da rebelião, há cenas bíblicas e passagens da história paulista feitas com pastilhas de mosaico veneziano. E em todo ano, no dia 9 de julho, em torno do Obelisco ocorre o Desfile Cívico-Militar com a participação de escoteiros.

4.2- Reforma do Obelisco

Em 9 de dezembro de 2014, o Obelisco do Ibirapuera foi reaberto para a população após reformas e modernização. Veja os registros do dia da reinauguração:

ServiçoObelisco Mausoléu aos Heróis de 32

Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/n – Parque Ibirapuera (Portões 1 e 2) – São Paulo – SP
Dias e horários: De segunda-feira a domingo, das 10h às 16h (As visitas técnicas em grupo ocorrem uma vez por mês, são gratuitas e as vagas são limitadas. Para garantir sua vaga ou mais informações entre em contato pelo email: visitaobelisco@gmail.com)
Entrada: Gratuita

 


Fontes: Site Nova Escola (Eliza Kobayashi), Site 1932: Histórias de uma Guerra, Site ALESP, Site Prefeitura de SP, Site Folha de S. Paulo, Portal Mercadão, Site Escoteiros SP e Site Parque Ibirapuera. Todas as imagens: Reprodução. 

 


Entre no nosso grupo do Facebook: https://www.facebook.com/groups/spdagaroa/ e seja um membro para saber em primeira mão das nossas matérias recentes e outros conteúdos exclusivos!
The following two tabs change content below.
Redação SP da garoa
São Paulo da garoa, São Paulo, que terra boa! Tudo sobre cotidiano, cultura, história, turismo e gastronomia da nossa terra da garoa.
Redação SP da garoa

Latest posts by Redação SP da garoa (see all)

Comentários

Comentários

Tagged