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A REVELAÇÃO! “São Paulo: 9 verdades e 1 mentira”

No mês de abril, a timeline do Facebook começou a ser invadida por essa “corrente” ou “brincadeira” do desafio #9verdadese1mentira, em que as pessoas postavam uma lista de dez afirmações sobre si mesmas, e apenas uma delas é falsa, e quem visse, teria que adivinhar.

Nós, do São Paulo da garoa, resolvemos entrar também nessa brincadeira e fizemos uma lista a respeito da nossa cidade, e publicamos o post na nossa página e também no nosso Instagram.

Foi um sucesso! Teve vários comentários, compartilhamentos, e até, foi parar na página do Catraca Livre SP!

E conforme prometido, iremos comentar cada afirmação uma a uma, e revelar qual é a MENTIRA!

 


A chamada: “São Paulo: 9 VERDADES E 1 MENTIRA. Descubra!

 

Afirmação 1: O MASP, o Sesc Pompeia e a Casa de Vidro são projetos da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi – ✅ VERDADE:

O casal Bardi

Após o casamento no ano de 1946, em Roma (Itália), da arquiteta Lina Bo Bardi com o jornalista e admirador de artes Pietro Maria Bardi, o casal realiza a aventura da vinda definitiva para o Brasil, país com a perspectiva de prosperidade e cenário de uma arquitetura talentosa e promissora, situação oposta à da Europa, que amarga a reconstrução nos anos pós-guerra.
O casal visita primeiramente a cidade do Rio de Janeiro, onde conhece a vanguarda das artes no Brasil, e também, o empresário e político Assis Chateaubriand, que já convida Pietro para fundar e dirigir um museu de arte moderna em São Paulo, ou seja, o futuro MASP.
Lina naturaliza-se brasileira em 1951 e, no mesmo ano, completa seu primeiro projeto arquitetônico, a Casa de Vidro, localizada no bairro Morumbi em SP, e que virá a ser um ponto de encontro importante para a cultura nacional. Nos dias atuais, é ocupada pela fundação que leva o seu nome e o de seu marido.
E somente no ano de 1966, Lina retoma o projeto do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP) na avenida Paulista, que após a sua inauguração em 1968 virá a ser um dos marcos mais icônico da arquitetura brasileira.

E por fim, no ano de 1977, ao visitar a “Fábrica de Tambores” localizada no bairro Pompeia, a arquiteta encontrou uma bela construção feita com estrutura pioneira no Brasil: de concreto armado com vedações em alvenaria. E para que esse terreno pudesse comportar todo o programa previsto para o SESC Pompeia, com a opção de manter a velha fábrica, seria necessário edificar duas torres no final do lote. E tal decisão foi adotada pela própria Lina, que conferiu também o aspecto monumental para o complexo. A inauguração foi realizada no ano de 1982, e o bloco esportivo aberto ao público em 1986.

(Fontes e reprodução de imagens: Sites Instituto Bardi, VitruVius, SESC-SP, MASP e Folha de SP)

 

Afirmação 2: Existe um trator enterrado no gramado do estádio do Canindé – ❌ MENTIRA:

Canindé

Parecia piada de português (…) Mas isso não aconteceu” – assim declarou o arquiteto Hoover Américo Sampaio em uma entrevista para o Estadão, negando a mais famosa piada sobre a sua obra, Canindé – o estádio da Portuguesa, a de que um trator teria sido enterrado em seu campo.
Ele foi contratado em 1964, com as obras já em andamento, e sendo assim, o estádio só veio a ser inaugurado oficialmente em 9 de janeiro de 1972, com a partida: Portuguesa 1 a 3 Benfica. E foi a partir dessa data, que surgiu a tal lenda, por pura maldade de torcedores dos times rivais, de que: quando os dirigentes da Portuguesa de Desportos terminaram de reconstruir o estádio (de 1956) e erguer arquibancadas de concreto, esqueceram um trator no meio do gramado, e desse modo, como ficou impossível removê-lo pelas saídas destinadas ao público, decidiram enterrá-lo ali mesmo.
Há também, a versão de que uma peça gigante de um guindaste está sob o gramado, será que é verdade? Ora, pois! (risos).

(Fontes e reprodução de imagem: Site O Estado de S. Paulo, Veja SP, UOL Esporte, Domínio Público)

 

Afirmação 3: São consumidas mais de 700 pizzas por minuto na cidade – ✅ VERDADE:

Pizza da tradicionalíssima 1900, pizzaria localizada no bairro Vila Mariana

São Paulo é a segunda cidade que mais consome pizza no mundo, ficando atrás somente de Nova Iorque, o que comprova os dados do São Paulo Convention & Visitors Bureau.
Pelos cálculos, então são consumidas 700 pizzas por minuto = 42.000 pizzas por hora = 1.008.000 pizzas por dia.
E é isso que comprova também o blog de Edison Veiga para o Estadão, em um post publicado em janeiro de 2012, que afirma que os profissionais da pizza (pizzaiolos e outros) garantem na cidade de São Paulo, 1 milhão de redondas por dia.
O cenário da pizza na cidade consiste em 12 mil estabelecimentos paulistanos que vendem as redondas, metade é formada por pizzarias mesmo, e a outra metade, por outras casas comerciais, como padarias.
Há nos cardápios da cidade 230 sabores diferentes, das mais vendidas, como muçarela e calabresa; a excentricidades, como de hambúrguer, picanha, coraçãozinho de frango e abacaxi.

(Fontes e imagem: Sites Guichê Virtual, O Estado de S. Paulo, Rafael Gushiken/SP da garoa)

 

Afirmação 4: Do metrô, a estação Paulista fica na rua da
Consolação, e a estação Consolação fica na avenida
Paulista – ✅ VERDADE:

Essa é fácil, para quem utiliza esse transporte público “já tira de letra” a respeito dos nomes das estações em seus respectivos endereços.
Mas só para tentar esclarecer o motivo sobre esse impasse dos nomes trocados, devemos nos atentar às datas de inauguração de cada uma delas.
estação Consolação (Linha 2 – Verde) que fica na avenida Paulista com a rua Augusta, foi inaugurada em 25 de janeiro de 1991, e já a estação Paulista (Linha 4 – Amarela) localizada na rua da Consolação, altura do número 2.163, foi inaugurada mais recentemente, em 25 de maio de 2010. Ou seja, há uma diferença de 19 anos, e sendo assim, a estação Consolação por ser mais antiga não teve o seu nome alterado, justamente para não confundir os frequentadores que transitam por ali diariamente.
Só causa ainda uma confusão para os turistas! Pois São Paulo recebe quase 13 milhões deles por ano, e é apontada como a cidade brasileira mais procurada pelos viajantes, segundo o último levantamento do Ministério do Turismo, superando Rio de Janeiro, Florianópolis e qualquer outra cidade do Nordeste.

(Fontes e reprodução de imagens: Sites EMTU/Metrô de SP, Super Interessante, Wikipédia e Ministério do Turismo)

 

Afirmação 5: SP abriga o único ginásio de sumô fora
do Japão – ✅ VERDADE:

Clique aqui e veja a reportagem do SBT sobre o Ginásio de Sumô

No bairro do Bom Retiro, região central de São Paulo, abriga o Centro Esportivo e Cultural Brasil-Japão, onde há Estádio Municipal de Beisebol Mie Nishi, inaugurado em 21 de junho de 1958 pelo então prefeito da cidade da época, Dr. Adhemar de Barros, durante as comemorações do Cinquentenário da Imigração Japonesa no Brasil, ocasião especial que contou com as presenças da Família Imperial Japonesa e da equipe de beisebol da Universidade de Waseda (Tóquio, Japão).
Anexado a esse campo de beisebol, há um Ginásio de Sumô, que é considerado o único e exclusivo dessa modalidade esportiva fora do Japão, que passou por reformas em 2008 e foi inaugurado oficialmente um novo em 2011.
Desde os anos 1980, que atletas, tanto como homens e mulheres, de diversas faixas etárias e de diversos tipos de estaturas e pesos (pois aqui no Brasil não se restringe ao típico estereótipo do “homem japonês e gordo”) praticam o esporte no local, com treinamentos semanais. Também ocorrem nesse ginásio, campeonatos regionais, estaduais, nacionais e internacionais da modalidade.
Para quem se interessar e quiser saber mais sobre sumô, basta só aparecer no local pois os treinos são gratuitos. O endereço é: Av. Presidente Castelo Branco, 5446 – Bom Retiro / Telefone: (11) 3221-5105 / E-mail: mfujimoto@prefeitura.sp.gov.br

(Fontes e reprodução de imagem: Sites Prefeitura de SP, Folha de SP, Canal Youtube SBT)

 

Afirmação 6: Um rinoceronte chamado “Cacareco” foi eleito vereador da cidade – ✅ VERDADE:

“Cacareco” no zoológico da Água Funda que foi inaugurado em 16 de março de 1958

No dia 16 de março de 1958, durante a inauguração do Zoológico da Água Funda, o então governador de SP da época, Jânio Quadros, fez uma declaração mencionando a rinoceronte fêmea emprestada, justamente para essa ocasião, do Zoológico do Rio de Janeiro: “Com o cartaz que está, ‘Cacareco’ (nome que significa objeto velho, muito usado) seria um forte candidato aos Campos Elíseos (sede do governo paulista na época)“. E foi com essa frase que Jânio colocava um rinoceronte no meio da política paulista, há 59 anos, e se criava então a forte popularidade de “Cacareco“.
Tal previsão do governador paulista se realizou em parte, pois Cacareco realmente foi um forte candidato, mas não para o governo paulista, e sim no ano seguinte, para as eleições municipais de outubro de 1959, em que o jornalista Itaboraí Martins lançou a sua candidatura para vereador da cidade e, no fim, obteve entre 90 e 100 mil votos! Mais do que qualquer outro candidato a vereador, os 450 que concorriam a 45 cadeiras.
Isso foi possível, pois à época, a eleição era realizada com cédulas de papel e os eleitores escreviam o nome de seu candidato de preferência, ou seja, muitos escreveram mesmo: “Para vereador – Cacareco”. O animal encarnou a frustração da população paulistana com os políticos nas eleições para a Câmara Municipal (Palácio Prates) daquele ano, e sendo assim, Cacareco foi o primeiro animal “eleito” no Brasil!

(Fontes e reprodução de imagem: Sites Acervo O Estado de S. Paulo e Wikipédia)

 

Afirmação 7: Os vitrais do Mercado Municipal foram usados como tiro ao alvo durante a Revolução de 1932 – ✅ VERDADE:

Painel vitral do “Mercadão”

O Mercado Municipal de São Paulo, o mais conhecido “Mercadão“, foi projetado em 1926 pelo escritório do famoso arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo (o mesmo que edificou o Theatro Municipal de SP), e inicialmente, com a previsão de inauguração para 1932.
Porém, a ocasião foi adiada para o ano seguinte, 1933, pois no anterior havia estourado a “Revolução Constitucionalista“, e o prédio serviu como galpão de armas e munição, e também provisoriamente, como um quartel-general onde abrigou alguns combatentes.
Para treinar a mira, esses soldados não hesitaram em utilizar como alvo os “agricultores” que ilustram os painéis de vidro feitos pelo artista russo Conrado Sorgenicht Filho. Ele, que também assina o trabalho na Catedral da Sé e de outras 300 igrejas, teve que refazer os painéis do Mercadão após a rendição das tropas, pois foram mais dois meses restaurando o próprio trabalho para que fosse entregue novamente à população, “novinhos em folha”, na inauguração oficial ocorrida em 25 de janeiro de 1933, data do aniversário da cidade.
Ao todo, são 32 painéis subdivididos em 72 vitrais espalhados por todo o prédio, em estilo neogótico e que retratam a história da agricultura em São Paulo.

(Fontes e reprodução de imagem: Sites Folha de SP e Portal do Mercadão)

 

Afirmação 8: Há 15 vezes mais ratos do que pessoas
na cidade – ✅ VERDADE:

Em SP há quase 15 ratos por habitante

Um pouco desagradável essa afirmação mas é fato! De acordo com uma estimativa de 2005 do Centro de Controle de Zoonoses do município, há pelo menos 15 vezes mais ratos que pessoas em São Paulo, o que significa cerca de 160 milhões desses animais nas ruas da metrópole para uma população de 10,9 milhões. Em Nova York (EUA), o índice é de sete roedores por habitante; em Londres (Inglaterra) de três para um.
A vida média da ratazana é de 2 anos, e o camundongo vive cerca de 1 ano. A partir do 3º mês de vida já podem procriar, sendo que o tempo de gestação é, em média, de 19 a 22 dias e o número de filhotes por cria é de 5 a 12, na dependência da oferta de alimento e abrigo.
No entanto, é de importância fundamental que a comunidade tenha a informação e a compreensão adequadas do problema, e que sempre contribua para a eliminação de hábitos e costumes que favoreçam a proliferação dos ratos, tais como jogar lixo e entulho em córregos, praças, terrenos baldios, bueiros, etc. Informe-se melhor a respeito! Clique aqui e acesse o site do Controle de Zoonoses.

(Fontes e reprodução de imagem: Sites Veja SP e Prefeitura de SP)

 

Afirmação 9: Existe uma plantação de café em SP, com mais de 1.500 pés cafeeiros – ✅ VERDADE:

Cafezal do Instituto Biológico

O Instituto Biológico, localizado no bairro Vila Mariana, foi criado em 1927 para atender as demandas dos “Barões de Café” (os quais exerciam grandes influências política e econômica no estado paulista e no país na época) que clamavam por uma assistência técnica para o controle das pragas que ocorriam em seus cafezais.
Na metade da década de 50, junto ao edifício sede do Instituto, foram plantados cerca de 2.500 pés de café com a finalidade de servir à pesquisa científica e, também, de preservar a memória histórica da Instituição.
Hoje, o cafezal do Instituto ocupa uma área aproximada de 10.000 m², possuindo 1.536 pés de café das variedades Mundo Novo e Catuaí, e representa o maior do gênero instalado em área urbana, com a certificação UTZ Kapeh ao maior cafezal urbano no estado de São Paulo.
Desde 2006, entre os meses de maio e junho, é realizado o evento “Sabor da Colheita”, que nada mais é, um ato simbólico que marca o início da colheita do café.
Para quem se interessar em conhecer o lugar e/ou o evento, as visitas devem ser agendadas com antecedência. Informe-se pelo telefone de contato: (11) 5087-1704, falar com Harumi Hojo.

(Fonte e reprodução de imagem: Site Instituto Biológico)

 

Afirmação 10: Se diz “bolacha” e “farol” – ✅ VERDADE:

Reprodução Facebook

Para decifrar um pouco sobre esses termos ditos restritamente aqui em São Paulo (e que paulistanos acham que o Brasil todo fala como eles), vamos usar as explicações que o escritor e jornalista Felipe Frisch, que se auto-intitula “jornalista carioca com cidadania paulistana”, publicou em seu livro: “Ponte Aérea: Manual de Sobrevivência entre Rio e São Paulo“. Ele brinca um pouco também com essa “rivalidade paulistana vs. carioca”, veja a seguir esses trechos:

“(…) Bolacha: como os paulistanos chamam o que os cariocas, a indústria alimentícia (vide as embalagens) e o resto do país chamam os biscoitos (…)”

“(…) Sinal/Semáforo/Farol: Diferença conhecida, mas que está longe de se limitar ao nome que paulistanos e cariocas dão para um mesmo acessório luminoso de sinalização de trânsito – enquanto alguns paulistanos falam “farol“, e outros falam “semáforo“, há ainda os que falam “sinal“, como os cariocas, sob gloriosa influência da Globo (…)”

Nota-se que a rivalidade será eterna entre “é bi-sh-coito!” e “é bô-lacha!”, não é? (risos). E só para ilustrar um pouco os usos das palavras “farol” e “sinal”, é só tentar “traduzir” o trecho da música “Cariocas“, de Adriana Calcanhoto, – “cariocas não gostam de sinal fechado…” – para uma versão paulistana, em que (claro!) a música se chamaria “Paulistanos” e o trecho seria – “paulistanos não gostam de farol fechado…” 😜😁

(Fontes e reprodução de imagem: Blog do Jorge, Fanpage Ponte Aérea, o livro)

 


Por Redação SP da garoa ~ Pesquisa das afirmações, arte e foto abre do Banespão por Guilherme Olhier. Pesquisa, explicações de cada afirmação e arte por Rafael Gushiken. Colaboração de Edgard Santos

 

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São Paulo da garoa, São Paulo, que terra boa!

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