460 anos do Cerco de Piratininga – a última resistência indígena contra a colonização e catequização na vila de São Paulo

SP da história

Confira como foram os dois dias (9 e 10/07/2022) da celebração organizada pelo indígena Casé Angatu, desse evento histórico que é um grande marco para os povos originários que viviam e continuam a viver em Piratininga (como a nossa SP da garoa era chamada antes da chegada dos colonizadores portugueses).

Foto de capa: (Crédito: Rafael Gushiken/SP da garoa)

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CAMINHADAS RITUAIS EM MEMÓRIA AOS 460 AN0S DO CERCO DE PIRATININGA – 09 E 10/07/2022 – Introdução

No fim de semana das comemorações dos 90 anos da Revolução Constitucionalista de 1932 (09/07/2022), eu resolvi participar de uma imersão histórico-cultural um pouco diferente, focada na memória indígena, os povos originários de Piratininga (assim como já era chamada por eles, a nossa SP da garoa, que na interpretação é “terra do peixe seco”).

Estive na celebração dos 460 anos (1562-2022) do chamado “CERCO DE PIRATININGA”, que foi a última resistência indígena contra a presença de colonizadores portugueses (bandeirantes e jesuítas catequizadores) ocorrida onde está hoje o complexo histórico do Pateo do Collegio (local da fundação da Vila de São Paulo em 1554).

A condução nesses dois dias foi de Carlos José F. Santos ou Casé Angatu, indígena e morador da Aldeia Gwarini Taba AtãTerritório Tupinambá de Olivença (Ilhéus/BA), historiador e doutor pela FAU/USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo) e docente na UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus/BA) e UFSB (Universidade Federal do Sul da Bahia).

E eu o conheci durante a exibição do documentário “Chaguinhas”, mártir que foi sepultado no cemitério da Capela dos Aflitos e onde está todo o legado de sua devoção de “santo popular” e memória da resistência negra, como também estão enterrados ali, os indígenas escravizados e que Casé defende também como ponto de partida da memória e resistência indígena.

Post publicado no perfil @spdagaroa sobre a imersão histórico cultural do “Cerco de Piratininga” (Reprodução Instagram)

CAMINHADAS RITUAIS EM MEMÓRIA AOS 460 AN0S DO CERCO DE PIRATININGA – 09/07/2022 – Capela de São Miguel Arcanjo + Praça do Forró + Ururaí (S. Miguel Paulista, Zona Leste de SP)

No primeiro dia, 09 de julho de 2022, manhã de sábado, houve uma concentração liderada pelo Casé, em frente à “Capela dos Indígenas” (edificada pela etnia guainases em 1622) – como foi sempre conhecida a histórica Capela de São Miguel Arcanjo (templo mais antigo e restaurado da cidade) que fica na Praça do Forró em Ururaí (nome onde hoje é o bairro de São Miguel Paulista, zona leste de SP).

Foi daqui que em 1562 (há 460 anos) partiram os ancestrais indígenas em direção ao Pateo do Collegio (Planalto de Piratininga, hoje, o Centro Velho/Histórico) para lutarem contra as imposições coloniais: espoliação das terras, escravização, torturas, estupros e a proibição de tradições e espiritualidades (xamanismo) desses povos originários.

Dentro da “Capela dos Indígenas” (Capela de S. Miguel), Casé conduziu com outras etnias indígenas presentes, como os Guaianás, rituais, cantos e narrativa de memórias ancestrais das resistências e (re)existências.

A finalização foi a Guatá Toré (Caminhada Ritual) pela praça do Forró (onde se localiza a Capela).

Post publicado no perfil @spdagaroa sobre a imersão histórico cultural do “Cerco de Piratininga” (Reprodução Instagram)

CAMINHADAS RITUAIS EM MEMÓRIA AOS 460 AN0S DO CERCO DE PIRATININGA – 10/07/2022 – Pateo do Collegio + Centro Histórico + Liberdade e Capela Nossa Sra. dos Aflitos + Teatro Oficina e Parque do Rio Bixiga

No domingo, 10 de julho de 2022, a concentração foi no Pateo do Collegio (local da fundação da cidade pelos colonizadores em 1554) onde ocorreu o Cerco de Piratininga em 1562.

Lá o grupo conduzido mais uma vez por Casé, realizou outro Guatá Toré (Caminhada Ritual), e depois, seguiu para uma caminhada pelas ruas do centro histórico/antigo, nos diferentes territórios das memórias e narrativas (invisibilizadas) indígenas e negras, pois também estava presente o escritor e historiador Abilio Ferreira – coordenador do Instituto Tebas de Educação e Cultura.

O primeiro ponto de parada da caminhada, foi na Capela Nossa Senhora dos Aflitos, localizada no beco homônimo, no bairro da Liberdade, e onde fora o primeiro cemitério da cidade (local de sepultamentos de escravizados indígenas, negros e os condenados à morte por enforcamento).

Lá, Casé juntamente com Eliz Alves, coordenadora da UNAMCA União dos Amigos da Capela dos Aflitos, trouxeram mais narrativas e cantorias no que ele próprio define como “território sagrado” também dos indígenas.

E por fim, a última parada foi no Teatro Oficina, na Bela Vista, com a abordagem na resistência e (re)existência do território do futuro Parque do Rio Bixiga (encostado com o teatro) e com o próprio Oficina em si, o último projeto da arquiteta Lina Bo Bardi, que é um patrimômnio histórico tombado pelo CONDEPHAATConselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico. Pois há um imbróglio com o Grupo Sílvio Santos que almejava apropriar de todo esse terreno para a edificação de um projeto imobiliário.

A proposta da celebração do Cerco de Piratininga é de manter viva a luta pelos direitos dos povos indígenas, negros, lgbtqia+, entre outros que têm a sua representatividade, história e memórias invisibilizadas. E maior reinvidicação indígena é pela sua demarcação de terras (assunto super em voga no momento).

Post publicado no perfil @spdagaroa sobre a imersão histórico cultural do “Cerco de Piratininga” (Reprodução Instagram)

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Rafael Gushiken

Idealizador e editor-chefe at São Paulo da garoa
Rafael Gushiken é o idealizador e editor-chefe do portal São Paulo da garoa, para o qual seleciona as melhores dicas sobre cotidiano, cultura, história, turismo e gastronomia da terra da garoa; com a realização de exclusivas coberturas jornalísticas de eventos e passeios de interesse ao público paulistano e paulista em geral. É publicitário de formação, especializado em Marketing e Conteúdo Digital, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas; e se "aventura" como fotógrafo e curador cultural.

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