Avenida Paulista: tudo sobre a via mais famosa da cidade de São Paulo

SP da história

Saiba sobre a história, a geografia, as características socioculturais, entre outras informações, que definem a avenida Paulista: a mais paulistana das vias na cidade.

Foto de capa:  Avenida Paulista na altura do “prédio da Gazeta” – Fundção Cásper Líbero, em 2018 (Rafael Gushiken/SP da garoa)

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A avenida mais paulistana de todas

Layout da placa de rua (Reprodução Wikipedia)

A avenida Paulista é uma das vias mais conhecidas de São Paulo.

É considerada um dos principais centros financeiros da cidade, como também, um lugar muito procurado por oferecer muitos atrativos turísticos, ou seja, a avenida revela sua importância não só como polo econômico, mas também como centralidade cultural e de entretenimento.

Pela Paulista (como a avenida é popularmente chamada), diariamente, transitam milhares de pessoas oriundas de todas as regiões da cidade e de fora dela também, e por isso, se tornou um dos lugares de São Paulo com a maior diversificação cultural possível.

Geografia

Avenida Paulista, destacada na cor vermelho, no Google Maps (Reprodução)

Está localizada no limite entre as zonas Centro-SulCentral Oeste (o chamado Centro Expandido: que fica ao redor do Centro Histórico); e em uma das regiões mais elevadas da cidade, chamada de Espigão do Caaguaçu (do tupi-guarani, “mata grande”), pois na pré-colonização portuguesa, era composta por vegetação de mata densa com árvores muito altas, como o jatobá, pau-ferro, embaúba, etc.

Sua extensão é de 2,7 km, com início na praça Oswaldo Cruz (em frente so shopping Pátio Paulista) e término na praça Marechal Cordeiro de Farias (altura da rua Minas Gerais, em Higienópolis).

Pelo lado par, compreende os bairros Bela Vista, Cerqueira César (Baixo Augusta) e Consolação. E pelo ímpar, os bairros Paraíso, Jardim Paulista e Cerqueira César (Jardins). A Paulista está sob administração da subprefeitura da Sé.

A avenida é um importante eixo viário da cidade ligando importantes outras vias como a Dr. Arnaldo, Rebouças, 9 de Julho, Brigadeiro Luís Antônio, 23 de Maio, rua da Consolação e a Avenida Angélica.

E um dado demográfico revela que, de acordo com a Associação Paulista Viva, a população residente na avenida era de 5 mil em 2014.

História – A origem (séc. 19)

Quadro de Jules Martin retratando a Avenida Paulista no dia da Inauguração, 08/12/1891 (Reprodução do acervo do Museu Paulista da USP)

À época, fim do século 19, havia um desejo em expandir na cidade, novas áreas residenciais que não estivessem localizadas imediatamente próximas às mais movimentadas centralidades do período, nesse tempo, altamente valorizadas e totalmente ocupadas, tais como a Praça da República, o bairro de Higienópolis e os Campos Elísios.

Dessa forma, a região escolhida para a realização desses novos loteamentos, foi a do Espigão do Caaguaçu, conhecido como divisor dos vales dos rios Tietê e Pinheiros, e também, já citada anteriormente, a área mais elevada (900 metros acima do nível do mar) que proporciona uma vista panorâmica e privilegiada da cidade.

Busto de Joaquim Eugênio de Lima, esculpido por Roque de Mingo (13/06/1952) e que está localizado no Parque Trianon (Reprodução Wikipedia)

E assim, a avenida Paulista foi inaugurada, no dia 8 de dezembro de 1891.

Fruto do empreendimento de um grupo de empresários, liderado por Joaquim Eugênio de Lima (engenheiro uruguaio estabelecido em SP e consolidado no mercado imobiliário) que estabeleceu as concepções básicas da avenida, além de se tornar juntamente com seus sócios João Augusto Garcia e José Borges Figueiredo, proprietário de todos os terrenos da área , o que hoje compreende a região do Paraíso até à Consolação, e na época, era o espigão loteado que também incluía um antigo caminho aberto em sua parte alta, feito na época da chegada dos portugueses, denominado de a Rua da Real Grandeza.

A princípio, Eugênio Lima tinha em mente que a avenida se chamasse “Prado de São Paulo”, ou “Avenida das Acácias”, mas seus colegas e sócios tiveram a ideia de dar à avenida o seu nome. Ao se opor, então, ele declarou: “Será Avenida Paulista, em homenagem aos paulistas“.

O planejamento, por sua vez, foi responsabilidade do agrimensor Tarquínio Antonio Tarant, que ficou encarregado do arruamento, arborização e criação de alamedas transversais, que receberam nomes de cidades paulistas como Amparo (hoje Alameda Campinas), Ribeirão Preto, Rio Claro, Casa Branca, Limeira (atual Peixoto Gomide), Jundiaí (atual Ministro Rocha Azevedo) e no sentido longitudinal Alameda Santos, Jaú, Itu, Tietê e Lorena.

À propósito, existe a alameda Joaquim Eugênio de Lima perpendicular à avenida (altura do Top Center e “prainha paulista”), justamente nomeada em homenagem ao criador.

Eugênio de Lima exigiu que a avenida Paulista fosse toda plana e a mais larga da cidade, e como o terreno era irregular, foi necessária a realização do movimento de terras e do aterro do vale por onde passa hoje o Túnel 9 de Julho, além da execução do arruamento e pavimentação da avenida.

Ele também foi o responsável por negociar com os governantes da época, a extensão da iluminação e da rede de água e esgoto até a essa nova via, além do policiamento, e linhas de bondes.

História – Na linha do tempo (séc. 20)

À esquerda, registro da Paulista em 1906 por Manuel Frédéric; e à direita, registro panorâmico em 1902 por Guilherme Gaensly (Reproduções do acervo do Museu Paulista da USP)

Criada por um investimento privado e acompanhada de melhorias providas pelo poder público, a Paulista era um espaço único e exclusivo: não havia nenhuma avenida similar em toda a cidade.

As primeiras décadas desde a inauguração da avenida (virada do séc. 19 para o 20) foram destinadas aos moradores de altíssimo nível de poder aquisitivo, primeiramente, por fazendeiros do café (os chamados “barões do café”) e, em seguida, por milionários ligados ao comércio e a indústria (como por exemplo, a família Matarazzo).

A avenida foi aberta seguindo padrões urbanísticos relativamente novos para a época: seus palacetes possuíam regras de implantação que, como conjunto, caracterizaram uma ruptura com os preceitos urbanos tradicionais da época. Os novos palacetes incorporavam os elementos da arquitetura eclética, o que fez tornar a avenida uma espécie de museu de estilos arquitetônicos de períodos e lugares diversos.

Veículos na avenida Paulista, em 1928 (Reprodução Wikipedia)

Aos poucos, a avenida se transformou no centro da animação da cidade, onde aconteceram corridas de charrete, de cabriolés e dos primeiros automóveis e, claro, os grandes carnavais dos anos 1920 e 1930.

O perfil estritamente residencial da avenida permaneceu até meados da década de 1950, quando o desenvolvimento econômico da cidade levava os novos empreendimentos comerciais e de serviços para regiões afastadas do seu centro histórico.

Durante as décadas de 1960 e 1970, seguindo as diretrizes das novas legislações de uso e ocupação do solo, e a valorização dos imóveis incentivada pela especulação imobiliária, começaram a surgir naquele local os seus agora característicos “novos espigões“: os edifícios de escritórios com 30 andares em média.

História – Curiosidades

No ano de 1909, a avenida Paulista se tornou um marco por ter sido a primeira via pública asfaltada de São Paulo, com material importado da Alemanha, o que era uma novidade até na Europa e nos Estados Unidos.

E em 20 de maio de 1927, seu nome foi alterado para avenida Carlos de Campos, homenageando o ex-presidente (governador) do estado, mas a reação da sociedade (que continuava a denominá-la “Paulista” apesar da mudança) e a Revolução de 1930 fez com que a avenida voltasse em 13 de novembro do mesmo ano a ter o nome com o qual foi criada e é conhecida até os dias de hoje.

Polo ou centro cultural da cidade

É na Paulista que está localizado o maior corredor cultural de São Paulo. Ao andar pelos seus quase três quilômetros de extensão (percorrida em 3.818 passos), o público pode visitar sete grandes centros culturais e museus:

Casa das Rosas, nº 37; Japan House São Paulo, nº 52; Sesc Avenida Paulista, nº 119; Itaú Cultural, nº 149; Centro Cultural Fiesp, nº 1313; MASP, nº 1578; e por fim, IMS Paulista, nº 2424.

E foi a partir disso que a iniciativa Paulista Cultural surgiu, no ano de 2018, com o intuito de promover conjuntamente algumas dessas instituições culturais.

Por meio de uma plataforma dinâmica e única, o site: https://www.paulistacultural.com.br/, as pessoas ficam inteiradas sobre as atrações online e presenciais de cada um dos espaços, bem como seus horários de funcionamento, além de ser possível também agendar visitas e reservar ingressos antecipadamente.

Eventos

Parada do Orgulho LGBT na Avenida Paulista (Divulgação: APOGLBT-SP)

Todos anos são realizadas as festas de Réveillon na avenida, exceto a partir de 2021 que foram interrompidas por conta da pandemia da Covid-19. Só para ter uma noção de números, durante a passagem de ano para 2009, cerca de 2,4 milhões de pessoas estavam presentes no local. E foram mais de 15 minutos de espetáculo com fogos de artifício, os quais foram lançados de dois edifícios da avenida, cruzando-se no ar e formando um portal de luz.

Também, anualmente, ocorre na Paulista a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, a maior do Brasil e considerado a maior do mundo. Atraindo milhares de pessoas do município e de outras regiões do país. A partir de 2021, as edições foram totalmente on-line.

A Corrida de São Silvestre ocorre tradicionalmente no dia 31 de dezembro, com saída em frente ao prédio da Gazeta, percorrendo várias ruas e avenidas do centro da cidade, e retornando ao mesmo local, vindo da avenida Brigadeiro Luís Antônio, contando com a participação de atletas nacionais e internacionais.

A avenida paulista é famosa por ter se tornado sede de manifestações na cidade. O ponto de encontro se fixou a partir do ano de 2013, nas manifestações que tomaram conta do Brasil, devido à insatisfação da população com o governo na época e suas medidas. Depois disso os eventos foram aumentando, com grupos de grande e pequeno porte, ocupando a via na altura do prédio da FIESP, e principalmente, no vão do MASP.

Espaço de lazer aos domingos

Pedestres caminham pela Avenida Paulista, fechada para veículos, em 2016 (Reprodução Hélvio Romero/Estadão Conteúdo)

No dia 25 de junho de 2016, o prefeito em exercício, Fernando Haddad, publicou no Diário Oficial do município de São Paulo, o decreto que oficializou a abertura da avenida como espaço de lazer aos domingos e feriados nacionais.

E assim, foi implementado o programa “Ruas Abertas“, a qual determinava a avenida (entre outras vias contempladas) ficar fechada para veículos e disponível somente para pedestres e ciclistas, das 10 às 19 horas (horário que também foi se modificando e adaptando em tempos de pandemia).

Fontes: Wikipedia Brasil, Site Casa Vogue e Site Série Avenida Paulista.

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Rafael Gushiken

Idealizador e editor-chefe at São Paulo da garoa
Rafael Gushiken é o idealizador e editor-chefe do portal São Paulo da garoa, para o qual seleciona as melhores dicas sobre cotidiano, cultura, história, turismo e gastronomia da terra da garoa; com a realização de exclusivas coberturas jornalísticas de eventos e passeios de interesse ao público paulistano e paulista em geral. É publicitário de formação, especializado em Marketing e Conteúdo Digital, Assessoria de Imprensa e Relações Públicas; e se "aventura" como fotógrafo e curador cultural.

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