Mostra “Movimento Armorial 50 anos” que destaca Ariano Suassuna (autor de “Auto da Compadecida”) chega ao CCBB-SP

SP ilustrada

Mostra gratuita apresenta ao público do CCBB-SP, as tradicionais manifestações artísticoculturais populares do Nordeste, proposta crucial do Movimento Armorial, lançado em Recife (PE) no ano de 1970 (50 anos em 2020) pelo consagrado escritor Ariano Suassuna (1927-2014), autor da famosa obra “Auto da Compadecida“.

Foto de capa: Mural com arte da Mostra “Movimento Armorial 50 Anos” em cartaz no CCBB-SP. (Crédito: Rafael Gushiken / SP da garoa) | Fontes: Folder e Catálogo oficial da exposição, 2021/22.

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Após passar pelos CCBB de BH e Rio, “Armorial 50 Anos” chega a SP, seguindo o mesmo trajeto das ondas migratórias nordestinas em direção ao Sudeste.

Ministério do Turismo e BB Seguros apresentam gratuitamente ao público do Centro Cultural Banco do Brasil – CCBB-SP, de 20 de julho a 26 de setembro de 2022, a mostra “Movimento Armorial 50 anos“, uma exposição com encontros musicais e literários que conduzirão o público pelo eclético, múltiplo e fantástico universo do Movimento Armorial, que completou seu ciquentenário em 2020, e fora lançado em Recife (PE), pelo consagrado escritor Ariano Suassuna (1927-2014).

A Mostra apresenta a proposta singular e desafiadora de Ariano, o qual criava uma arte erudita, a partir das mais autênticas e tradicionais manifestações artístico-culturais populares de diversas regiões brasileiras, sobretudo do Nordeste. Com a “Mostra Movimento Armorial 50 anos”, o Centro Cultural Banco do Brasil reafirma o seu compromisso em promover a brasilidade e a cultural nacional.

Mural com arte da Mostra “Movimento Armorial 50 Anos” em cartaz no CCBB-SP. (Crédito: Rafael Gushiken / SP da garoa)

Armorial 50

Armorial 50 é um evento idealizado por Regina Godoy (coordenadora geral da mostra) para marcar o cinquentenário do Movimento Armorial lançado pelo dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta, professor e palestrante Ariano Suassuna, em 18 de outubro de 1970.

O Armorial tinha como proposta criar uma arte erudita e universal, ligada às raízes da cultura popular brasileira, ao espírito mágico da literatura de Cordel, à música que acompanha seus cantares, à xilogravura que ilustra suas capas, e também à riqueza das festas populares como o Maracatu e o Reisado.

Mais do que estabelecer diretrizes rígidas, o movimento propunha uma convergência entre diferentes manifestações, como dança, literatura, pintura, música, teatro. Por isso, o evento Armorial 50 reúne esses vários gêneros, apresentando uma grande exposição complementada por encontros musicais e conversas sobre arte e literatura coordenadas por Carlos Newton Júnior (profº da Universidade Federal de Pernambuco e consultor da exposição).

Trajes do Reisado, manifestação folclórica, na mostra “Armorial 50”. (R. Gushiken/SP da garoa)

Figura do Caboclo de Lança da dança Maracatu na mostra “Armorial 50”. (R. Gushiken/SP da garoa)

Figura do Caboclo de Lança da dança Maracatu na mostra “Armorial 50”. (R. Gushiken/SP da garoa)

Representação da literatura de Cordel + arte da Xilogravura na mostra “Armorial 50”. (R. Gushiken/SP da garoa)

Instrumentos musicais simbolizando a música do movimento na mostra “Armorial 50”. (R. Gushiken/SP da garoa)

A curadoria, consultoria artística e toda produção

A mostra, com curadoria de Denise Mattar, foi organizada em núcleos, distribuídos nas salas CCBB-SP (4 pavimentos + subsolo) e contou com a consultoria de Manuel Dantas Suassuna (filho de Ariano) e Carlos Newton Júnior. A estética Armorial está presente na identidade visual da mostra, criada por Ricardo Gouveia de Melo, e na magia das cores e luzes do cenógrafo Guilherme Isnard.

Curadora Denise Mattar em frente às pinturas de Ariano Suassuna (sob encomenda do Internacional Palace Hotel de Recife/PE, década de 1980) inspiradas em seu outro feitio artísitico, as iluminogravuras. (R. Gushiken/SP da garoa)

Assim, logo na chegada, o visitante é recebido pela Onça Caetana, uma lenda do folclore nordestino muito ligada à vida de Suassuna, que a retrata com frequência em seus livros, desenhos e iluminogravuras.


Onça Caetana no hall principal do CCBB-SP (R. Gushiken/SP da garoa)

A Onça Caetana é uma das formas assumidas pela morte no universo ficcional de Ariano, que, para tanto, parte do nome “Caetana”, com o qual o sertanejo costuma se referir à morte, vendo-a na forma de uma jovem mulher (“a moça Caetana”).

Ariano desenhou várias versões da Onça Caetana, sendo esta a escolhida para ser realizada tridimensionalmente para a exposição. A peça foi confeccionada em Belo Horizonte pelos bonequeiros Agnaldo Pinho, Carla Grossi, Lia Moreira e Pedro Rolim.


Os núcleos da mostra: 4º andar CCBB-SP – Ariano Suassuna, Vida e Obra

A imersão do visitante no fascinante universo da arte Armorial começa no Quarto Andar, com o núcleo Ariano Suassuna, Vida e Obra, que traz a (verdadeira) cronologia completa do autor, seus poemas, livros, manuscritos e também vídeos das suas famosas aulas-espetáculo. Um mergulho no fértil e amplo imaginário criativo do mestre.

Banner que ilustra a reedição póstuma da obra de A. Suassuna pela Editora Nova Fronteira. (R. Gushiken/SP da garoa)

Denise Mattar, a curadora, em frente à cronologia mais verdadeira e fiel de A. Suassuna. (R. Gushiken/SP da garoa)

Os núcleos da mostra: 3º andar CCBB-SP – Figurinos do filme “A Compadecida”

O Terceiro Andar é dedicado aos figurinos criados pelo artista plástico pernambucano Francisco Brennand (1927-2019) para o filme “A Compadecida” (1969), primeiro longa-metragem baseado na consagrada peça “Auto da Compadecida“, de Ariano Suassuna.

Além de 12 desenhos realizados em nanquim aquarelado, são apresentados também figurinos dos cinco principais personagens da história. A indumentária da Compadecida é original do filme, já os figurinos do Palhaço, Diabo, João Grilo, e Emanoel – o Cristo Negro, foram confeccionados especialmente para a exposição pela figurinista Flávia Rossette.

O “Auto da Compadecida” foi refilmado em 2000, sendo o filme mais assistido no streaming brasileiro, mostrando o poder da obra de Ariano Suassuna. O público também poderá assistir cenas do filme de 1969, que reunia um elenco famoso na época, incluindo Antonio Fagundes, Armando Bógus e Regina Duarte, e fotos da filmagem realizada em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco.

Figurino da personagem “Compadecida”, interpretada pela atriz Regina Duarte, é o único original da época do filme “A Compadecida” (1969). (R. Gushiken/SP da garoa)

Figurino do personagem “Emanoel – o Cristo Negro” que foi interpretado pelo ator Zózimo Bulbul. (R. Gushiken/SP da garoa)

Figurino do personagem “João Grilo” que foi interpretado pelo ator Armando Bógus. (R. Gushiken/SP da garoa)

Figurino do personagem “Diabo Encourado” que foi interpretado pelo ator Rubens Teixeira. (R. Gushiken/SP da garoa)

Stills do filme “A Compadecida” (1969), do diretor Geroge Jonas: filmagem foi realizada em Brejo da Madre de Deus, Pernambuco. (R. Gushiken/SP da garoa)

Os núcleos da mostra: 2º andar CCBB-SP – Dois momentos do Movimento Armorial: a chamada Fase Experimental (1970-1974) e a Segunda Fase (1975-2000)

No núcleo denominado Armorial Fase Experimental, estão reunidos os artistas que participaram do início do movimento. As artes plásticas estão representadas por obras de Aluísio Braga, Fernando Lopes da Paz, Miguel dos Santos, Lourdes Magalhães, Fernando Barbosa e uma Sala Especial dedicada a Gilvan Samico (1928-2013), onde, além suas famosas xilogravuras, estão pinturas inéditas.

O núcleo assinala também o trabalho da Orquestra Armorial e do Quinteto Armorial, cuja proposta de produzir uma música de câmara erudita com influência popular, teve grande sucesso na época.

O premiado Quinteto Armorial teve como integrantes figuras consagradas da música, como o maestro, violonista e compositor Antônio José Madureira e o multiartista Antônio Carlos Nóbrega. O grupo gravou quatro LPs, discografia que a exposição revisita com capas de discos.

Pintura de Gilvan Samico: “Pe. Cícero Romão (Tríptco)”, 1974, Acervo Universidade Federal de Pernambuco, PE. (R. Gushiken/SP da garoa)

Xilogravura de Gilvan Samico: “Rumores de guerra em tempo de paz”, 2001, Acervo Instituto Ebrasil, PE. (R. Gushiken/SP da garoa)

A Segunda Fase do Movimento Armorial reúne as iluminogravuras de Ariano Suassuna, as litografias, cerâmicas e tapeçarias de sua esposa Zélia Suassuna, pinturas de Romero de Andrade Lima, de Manuel Dantas Suassuna, e espetáculos de dança do Grupo Grial.

As iluminogravuras de Ariano Suassuna, integram sua faceta de escritor à de artista plástico, de forma surpreendente. São dois álbuns produzidos na década de 1980: Sonetos com Mote Alheio (1980) e Sonetos de Albano Cervonegro (1985), ambos mantêm as mesmas características básicas de representação, e, juntos, formam uma espécie de autobiografia poética.

Nesse grupo estão ainda obras de Zélia Suassuna e fotos das Ilumiaras, conceito que Suassuna elaborou para designar espaços imantados de arte e cultura.

A dança é retratada em fotos, figurinos e projeções, através do Grupo Grial, criado por Ariano e pela bailarina e coreógrafa Maria Paula Costa Rêgo em 1997.

Tapeçaria de Zélia Suassuna (esposa de Ariano). (R. Gushiken/SP da garoa)
Uma iluminogravura de A. Suassuna da série “Sonetos com Mote Alheio”, 1980. (R. Gushiken/SP da garoa)

Os núcleos da mostra: 1º andar CCBB-SP – Armorial Hoje e Sempre

No Primeiro Andar está o módulo Armorial – Hoje e Sempre, reunindo produções de Cinema e TV, realizadas a partir de peças de Suassuna, como “Farsa da Boa Preguiça“, “A Pedra do Reino“, “Auto da Compadecida“, e o espetáculo “Lunário Perpétuo” de Antônio Nóbrega.

O conjunto Armorial Hoje e Sempre, mostra que, embora o Armorial não exista mais como movimento, seu conceito e estética deixaram frutos que podem ser vistos na arte contemporânea, no cinema e televisão, em autores como João Falcão, diretores como Guel Arraes e Luiz Fernando Carvalho, e multiartistas como Antonio Nóbrega.

D. Mattar em frente ao vídeo da versão de 2000 de “O Auto da Compadecida”, dirigido por Guel Arraes. (R. Gushiken/SP da garoa)

Os núcleos da mostra: Subsolo CCBB-SP – Armorial Referências

No Subsolo o público se encantará com o módulo Armorial – Referências, contemplando a beleza das xilogravuras, assinadas por J. Borges, Mestre Noza e Mestre Dila, entre outros, e também a Cidade de Cordel, criada especialmente para a exposição por Pablo Borges, filho de J. Borges. Trata-se de um espaço instagramável que permite uma lúdica viagem pela cultura popular, com seus causos e singularidades.

Ariano Suassuna considerava o Cordel a principal referência do Movimento Armorial, sobretudo pelo espírito mágico e tradicional que permeia suas histórias, muito presente em todo o Romanceiro Popular do Nordeste. Na seleção aqui apresentada, reunimos talhas e xilogravuras dos mais importantes artistas do cordel que evidenciam o imaginário nordestino no qual se mesclam o cotidiano e o fantástico, animais comuns e monstros, cenas engraçadas e trágicas, fé e delírio.

As festas populares e suas imagens de beleza e riqueza extraordinárias, estão apresentadas na mostra através de figurinos, estandartes, vídeos e fotos do Reisado, Maracatu e Cavalo-Marinho.

Palavras da curadora

Dentro do espírito que norteou Suassuna, a proposta da exposição é reunir essas artes, apresentando às novas gerações o trabalho pioneiro e engajado do autor, mostrando como ele propunha uma volta às raízes brasileiras, com profundo respeito à diversidade, às tradições de negros, índios e brancos, mas apresentando tudo de forma mágica, lúdica, plena de humor – um humor que faz pensar. Uma lição de vida e de resultados positivos, resultados que devem ser mostrados para a sociedade improdutivamente polarizada na qual vivemos hoje.”

Assim como outras, a comemoração dos 50 anos do Movimento Armorial foi adiada devido à pandemia, mas, agora queremos celebrar, sorrir e sonhar – e o Sonho é a matéria prima do Armorial. Boa visita!

— Denise Mattar, curadora da exposição.

Serviço — “Exposição Movimento Armorial 50 anos”

Entrada gratuita: Ingresso pelo app ou site eventim.com.br e na bilheteria do CCBB-SP.
Classificação: LIVRE

De 20 de julho a 26 de setembro de 2022

Centro Cultural Banco do Brasil – São Paulo

Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico de São Paulo.
Horário de funcionamento: todos os dias, das 9h às 20h, exceto às terças.

Entrada acessível: Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal.

Estacionamento Conveniado e Traslado de Vans: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento. No trajeto de volta, tem parada na estação República do Metrô. As vans funcionam entre 12h e 21h.

Transporte Público: O Centro Cultural Banco do Brasil fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista .

Táxi ou Aplicativo: Solicite desembarque na Rua Três de Dezembro. Siga a pé pela Rua XV de Novembro e Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).

PROGRAMAÇÃO COMPLEMENTAR À MOSTRA — AÇÕES DE FORMAÇÃO DE PÚBLICO

A COMPADECIDA E OS FIGURINOS DE BRENNAND

Local: Teatro
23 de julho, sábado, às 15h

Bate-papo que aborda detalhes pitorescos da filmagem de “A Compadecida” (1969), dirigido por George Jonas, com roteiro de Ariano Suassuna e George Jonas, e aspectos de criação e recriação dos figurinos que Francisco Brennand desenvolveu para o longa-metragem a partir de personagens do folclore nordestino. O encontro conta com a participação de Denise Mattar, curadora da exposição Armorial 50 Anos, Rosa Jonas, colecionadora e publicitária que atuou nos bastidores do filme, e Flavia Rossete, figurinista que recriou alguns dos figurinos para a exposição.

Classificação indicativa: 12 anos.
Entrada gratuita.
Ingressos na bilheteria do CCBB

SÉRIE MÚSICA ARMORIAL

Local: Teatro
04, 11, 18 e 25 de agosto
15 de setembro
Quintas, 19h


A série Música Armorial, em cinco apresentações, une erudito e popular e reúne artistas e grupos renomados, ecoando de diversas formas, em diferentes lugares e espaços e atraindo variadas gerações. Os grupos da série apresentam a versatilidade sonora e musical presente no Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna, com composições próprias e de grandes nomes da música armorial. A série ocorre paralela à exposição Movimento Armorial 50 Anos.

04/08 – Aula Espetaculosa Dantas Suassuna
11/08 – Duo Ana Oliveira e Sergio Raz
18/08 – Rosa Armorial
25/08 – Quinteto da Paraíba
15/09 – Antônio Nóbrega


Classificação indicativa: livre.
Entrada gratuita mediante retirada de Ingressos a partir de 1 hora antes de cada sessão na bilheteria do CCBB.

Fachada do CCBB-SP à noite e com o van do traslado gratuito. (R. Gushiken/SP da garoa)

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