“Primeiro HAMLET” de William Shakespeare entra em cartaz na sala Antunes Filho do Sesc Vila Mariana

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Adaptação da primeira versão do texto de William Shakespeare, mais enxuta e dinâmica. Hamlet, príncipe da Dinamarca, deseja vingar a morte do rei, seu pai, executado pelo próprio irmão, Cláudio, que se casou com a rainha e se tornou rei daquele país. Hamlet se encontra cada vez mais determinado a vingar a morte do pai, mas acaba se deparando em diversas dúvidas, morais e filosóficas.

A peça traz Chico Carvalho no papel de Hamlet. Essa é a sua sexta parceria com o diretor Gabriel Villela, sendo a segunda montagem de Shakespeare (a primeira foi A Tempestade). Na opinião do ator, as personagens do dramaturgo inglês são como “um prisma cujas diversas faces são iluminadas por seus versos, daí sua riqueza imensurável”, e ainda completa: “o Hamlet aqui não é uma versão minha, mas, principalmente, produto da linguagem do Gabriel. Estamos a favor de uma maquinaria, de uma linguagem. Com essa premissa, a gente se livra um pouco dessa enrascada de tentar definir o personagem, porque ele é indefinível”.

O elenco também conta com outros grandes atores. Elias Andreato interpreta Corambis (chamado de Polônio nas outras versões), Claudio Fontana faz o Rei Cláudio e, ao seu lado, como Rainha Gertred (Gertrudes, nas outras versões), está Luciana Carnieli. Ciça de Carvalho é Ofélia. Ivan Vellame faz o melhor amigo do protagonista, Horácio; André Hendges, o irmão de Ofélia, Laertes; Gabriel Sobreiro e Breno Manfredini são os colegas de Hamlet, aqui chamados de Rosencraft e Gilderstone; por fim, João Attuy interpreta tanto o Coveiro, quanto o invasor norueguês, Fortimbrás. Não menos importante, visto que o diretor tem especial apreço pela musicalidade em todos os seus trabalhos, Dan Maia executa a trilha sonora ao vivo.

Sobre a encenação

Os atores narram e dramatizam a tragédia shakespeariana sobre um palco coberto por troncos de árvores carbonizadas, ou o que sobrou de uma floresta queimada. O cenógrafo J. C Serroni inspirou-se na paixão do autor por florestas, facilmente identificada no protagonismo que exercem em Sonho de Uma Noite de Verão, ou na força trágica que tem em Macbeth. Uma cama, também carbonizada, é manipulada para sugerir diferentes ambientes, chegando a funcionar como um pequeno palco dentro do grande palco para acolher cenas emblemáticas da tragédia.

Na concepção de Gabriel Villela, a devastação da natureza sobre a qual se desenrola a trama é uma alusão aos desafios impostos pelo Antropoceno. O diretor diz ter ficado especialmente comovido com as queimadas no Cerrado, no Parque Nacional das Emas “que trouxe a terrível imagem de um Tamanduá carbonizado. Essa foto girou o mundo, tornou-se um incêndio simbólico”.

Já o diretor-adjunto, Ivan Andrade, entende que esse texto, “como qualquer clássico, absorve questões do tempo em que está sendo montado. Colocar Shakespeare, que, nas palavras de Harold Bloom, inventou o homem, em sobreposição a essa destruição causada pelo próprio homem deflagra a necessidade de reflorestamento não apenas das nossas florestas, como também do imaginário. O colapso ambiental é humano, e é sobretudo da imaginação”.

Gabriel Villela conta que a escolha do elenco deu-se pela voz dos personagens: o desenho da voz de cada ator auxiliou na formação final desta equipe. “No Brasil, a voz foge de convenções inglesas, americanas; o nosso método é Dercy Gonçalves e Grande Otelo, é circo. Isso implica em outra lógica para essas escolhas e faz com que caiba o melodrama do circo na cena da peça dentro da peça, por exemplo”.

Para trabalhar as vozes, Villela contou com sua parceira de muitas décadas, Babaya Morais, além de Dan Maia, ambos responsáveis pela direção musical. A maior parte das músicas é cantada em latim ao vivo pelos atores. O ponto de partida é o cantochão gregoriano, que vai ganhando polifonia ao longo da tragédia.

Os figurinos são, como sempre, assinados por Gabriel Villela, e a luz é de Wagner Freire.

Sesc Vila Mariana – Sala Antunes Filho
Endereço: Rua Pelotas, 141, Vila Mariana – São Paulo
Temporada: de 11 de maio a 16 de junho. Quinta a sábado às 21h e domingos às 18h.
Dias 7 e 8 de junho, sexta e sábado, haverá sessões extras às 15h.
Em todas as 4 sessões dos dias 7 e 8 de junho haverá tradução em libras
Duração: 120 min – com 15 min de intervalo
Classificação etária: 14 anos
Ingressos: Os ingressos disponíveis no aplicativo Credencial Sesc SP, pelo Portal Sesc SP e nas bilheterias do Sesc em todo o Estado – R$ 15 (credencial plena); R$ 25 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência) e R$ 50 (inteira)

Para mais informações: https://www.sescsp.org.br/programacao/primeiro-hamlet/

Central de Atendimento (Piso Superior – Torre A): terça a sexta, das 9h às 20h30; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h (obs.: atendimento mediante a agendamento).
Bilheteria: terça a sexta, das 9h às 20h30; sábado, das 10h às 18h e das 20h às 21h; domingos e feriados, das 10h às 18h.
Estacionamento: R$ 8,00 a primeira hora + R$ 3,00 a hora adicional (Credencial Plena: trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo matriculado no Sesc e dependentes). R$ 17 a primeira hora + R$ 4,00 a hora adicional (outros). 125 vagas.
Paraciclo: gratuito (obs.: é necessário a utilização travas de seguranças). 16 vagas
Informações: 5080-3000

Sinopse: o jovem príncipe Hamlet da Dinamarca depara-se com o espectro de seu pai, que revela que seu irmão Cláudio, tio de Hamlet, agora casado com Gertred – mãe do Príncipe, o envenenou. Atormentado com esta descoberta, Hamlet cria um plano para testar a veracidade do crime narrado pelo fantasma de seu pai e vingar seu assassinato.
Ficha Técnica:
Autor: William Shakespeare
Tradução: José Roberto O´Shea
Direção e figurinos: Gabriel Villela
Diretor-adjunto: Ivan Andrade
Elenco: Chico Carvalho, Elias Andreato, Claudio Fontana, Luciana Carnieli, Ciça de Carvalho, Ivan Vellame, André Hendges, Breno Manfredini, João Attuy e Gabriel Sobreiro
Iluminação: Wagner Freire
Direção Musical, canto e arranjos vocais: Babaya Morais
Direção Musical, órgão, viola e arranjos instrumentais e vocais: Daniel Maia
Cenografia: J C Serroni
Assistente de cenografia: Débora Ferreira
Adereços de cenário e pintura de arte: Beatriz Leandro, Gonzalo Michel, Lis Macedo, Nayara Andrade, Matheus Rondelli e Viviana León
Designer gráfico de cenografia: Paula dia Paoli
Produção de cenografia: Matheus Muniz
Cenotécnico: Wagner de Almeida
Marcenaria cenográfica: Douglas Vendramini
Maquinistas de montagem: Benilson Alves, Bruno Torato, Douglas Vendramini e Gonzalo Michel
Assistente de Figurinos: Nour Koeder, Emme Toniolo e Nayara Andrade
Costureira: Zilda Peres
Pintura e texturização: Cirqueira e Priscila Chagas
Maquiagem: Claudinei Hidalgo
Assistente de Maquiagem: Patrícia Barbosa
Fotografia: João Caldas Fº
Assistente de Fotografia: Andréia Machado
Diretor de Palco: Márcio Félix
Operador de luz: Rodrigo Sawl
Camareira: Ana Lucia Laurino
Produção Executiva: Augusto Vieira
Direção de Produção: Claudio Fontana
Apoio: Marcelo Araújo Hair


Sobre Gabriel Villela:
Artista de teatro, diretor, cenógrafo e figurinista, conhecido por sua teatralidade barroca e fortes traços de brasilidade com mais de 50 espetáculos encenados. Gabriel Villela tem como característica forte a mistura entre uma formação erudita e a estética popular. Estudou Direção Teatral na Universidade de São Paulo.
Sua extensa produção, iniciada profissionalmente na década de 1980, vem colecionando críticas positivas e prêmios (3 Prêmios Molière, 3 Prêmios Sharp, 13 Prêmios Shell, 10 Troféus Mambembe, 6 Troféus APCA, da reconhecida Associação Paulista de Críticos de Arte, 5 Prêmios APETESP, da Associação de Produtores de Espetáculos Teatrais de São Paulo, 2 Prêmios PANAMCO, 1 Prêmio Zilka Salaberry.e 1 Prêmio APTR), com espetáculos exuberantes, que derivam de textos de autores clássicos como Shakespeare, Schiller e Beckett, mas também de um mundo mais prosaico e particular, no qual se revela sua paixão pela estética popular. A inspiração do circo e a narrativa épica são características marcantes de seu teatro.
Sua peça de estreia, Você vai ver o que você vai ver (1989), já chamou a atenção de críticos e público. No ano seguinte, dirigiu a grande atriz Ruth Escobar em Relações Perigosas. Tornou-se um dos mais renomados diretores teatrais com reconhecimento internacional, sendo convidado a participar de Festivais nos EUA, Europa e América Latina representando o Brasil. Com o Grupo Galpão (ROMEU E JULIETA), Gabriel Villela foi convidado para uma temporada no Globe Theatre, em Londres, conquistando a crítica e o exigente público londrino. O espetáculo voltou a Londres em 2012 para participar da OLIMPÍADA CULTURAL, evento paralelo aos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Outras encenações do autor inglês merecem destaque, como Sua Incelença Ricardo III (2010), Macbeth (2012) e A Tempestade (2015/2016).
Encenou Pirandello (Henrique IV e Os Gigantes da Montanha), Camus (Estado de Sitio e Calígula), Heiner Muller (Relações Perigosas), Calderón de La Barca (A Vida é Sonho), Schiller (Mary Stuart), William Shakespeare, Strindberg (O Sonho) e Eurípides (Hécuba), e os dramaturgos brasileiros Nélson Rodrigues (Boca de Ouro, A Falecida e Vestido de Noiva), Arthur Azevedo (O Mambembe), João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina), Luís Alberto de Abreu (A Guerra Santa), Ariano Suassuna (Auto da Compadecida) e Alcides Nogueira (Ventania, A Ponte e A Água de Piscina).
Foi diretor artístico do Teatro Glória/RJ (1997/99) e também do TBC Teatro Brasileiro de Comédia/SP (2000/01). Dirigiu musicais, óperas, companhias de dança e especiais para TV.
Na Dança, acabou de dirigir a G2 Cia de Dança do Balé do Teatro Guaira montando “GAG, sobre o Teatro de Marionetes” baseado na obra de Kleist. Seus últimos trabalhos no teatro foram com os grupos teatrais Os Geraldos (CORDEL DO AMOR SEM FIM e UBU REI) e Maria Cutia (O AUTO DA COMPADECIDA). Quase todos os espetáculos que dirigiu fizeram temporada na cidade de São Paulo, onde reside.
A explosão visual do teatro de Gabriel Villela está na refração da luz de velas dos altares ou na ribalta dos dramas das arenas de circo, nas alegorias de uma religiosidade que reverbera trevas medievais ou em palhaços que subvertem a sisudez do clássico sem roubar-lhe a alma.” (Macksen Luiz, crítico teatral)

Sobre o tradutor:
José Roberto O’Shea formou-se bacharel pela Universidade do Texas-El Paso (1977), mestre em Literatura pela American University, D.C. (1981) e PhD em Literatura Inglesa e Norte Americana pela Universidade da Carolina do Norte-Chapel Hill (1989). Na condição de “research fellow”, realizou estágios de pós-doutoramento no Shakespeare Institute-Universidade de Birmingham (1997, fomento CAPES), na Universidade de Exeter (2004, fomento CNPq) e, novamente, no Shakespeare Institute (2013, fomento CAPES). Foi bolsista da Folger Shakespeare Library (2010). Ingressou no quadro de docentes da Universidade Federal de Santa Catarina em 1990, como Professor Adjunto, e nessa instituição foi Professor Titular de 1992 a 2016. Atualmente, é Professor Titular voluntário (aposentado) e membro permanente do Colegiado do Programa de Pós-graduação em Inglês da UFSC, atuando em pesquisa, orientação e docência na área de Literatura de Língua Inglesa, sobretudo nos seguintes temas: Shakespeare, Performance, e Tradução Literária. É pesquisador do CNPq desde meados dos anos 90, com projeto que contempla traduções em verso e anotadas da dramaturgia shakespeariana, tendo publicado as seguintes peças: Antônio e Cleópatra; Cimbeline, Rei da Britânia (Prêmio Jabuti, menção honrosa, 2003); O Conto do Inverno (Prêmio Jabuti, finalista, 2008); Péricles, Príncipe de Tiro; Hamlet, o Primeiro In-Quarto; Os Dois Primos Nobres; Tróilo e Créssida (estas últimas no prelo). Tem cerca de 50 traduções publicadas, abrangendo ficção (longa e curta), não ficção, poesia e teatro.

Sobre J. C. Serroni:
É um dos principais mestres da cenografia no país, atuante há cinco décadas. Seus trabalhos receberam dezenas de prêmios em festivais nacionais e internacionais e chegaram ao maior evento da área, no mundo, que é a Quadrienal de Praga, na República Tcheca. Em São Paulo, junto do diretor Antunes Filho e do Centro de Pesquisas Teatrais do Sesc, trabalhou em espetáculos icônicos, como “Paraíso Zona Norte”, “Vereda da Salvação” e “Antígona”, e coordenava o Núcleo de Cenografia e Figurino do CPT. Sempre envolvido na formação de novos profissionais, criou o Espaço Cenográfico, no centro de São Paulo, e os cursos de cenografia/figurino e técnicas de palco, da SP Escola de Teatro; além de ter publicado livros de referência como Teatros: uma memória do espaço cênico no Brasil (Senac, 2002), Cenografia brasileira – Notas de um cenógrafo (Sesc, 2013) e Figurinos – Memória dos 50 anos do Teatro do Sesi-SP (Sesi, 2015).J. C. Serroni começou como artista plástico, em São José do Rio Preto e formou-se arquiteto pela Universidade de São Paulo. Foi aluno de Flávio Império, professor de gerações de profissionais e colaborador de renomados diretores teatrais. Levou sua expertise para a tevê (TV Cultura, TV Globo e MTV), para a ópera, dança, ao cinema, shows musicais e montagens de exposições, sendo também responsável por reformas de teatros e espaços multiuso em todo Brasil. Há 15 anos seu lugar de experimentações é o Armazém da Utopia, no Rio de Janeiro, junto da Companhia Ensaio Aberto.

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